"Tudo depende do pôr-do-sol"

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L’Étape Brasil 2018 – Campos do Jordão/SP

0914

Pra guardar pra sempre…

Olá meus amigos, estou de volta com a resenha da minha participação no L’Étape Brasil 2018, evento este que aconteceu na minha cidade natal: Campos do Jordão/SP. Sendo esta a minha terceira participação seguida nesta prova de ciclismo amador, onde os atletas de elite (profissionais ou ex-profissionais) despontam e ganham facilmente (*sic)!!! Nos anos anteriores a prova foi sediada em Cunha/SP e por três anos mostrou o quanto suas estradas são desafiadoras, deixando certas saudades… Mas enfim, estou aqui para falar de 2018, onde desde o anúncio um ano antes, minha terrinha seria sede, por emoção fiz a inscrição; e aqui vale lembrar que os organizadores sempre após a prova enviam um questionário para os ciclistas responderem sobre diversos itens inerentes ao evento, até mesmo pedem sugestões sobre locais para as provas – e nesse ponto, Campos do Jordão sempre foi uma cidade apaixonada pelos ciclistas (Desafio e Copa VO2; Provas de Randonneurs; e agora: L’Étape provam o argumento), sendo este o retorno da parte organizadora.

Pré-prova: Como de praxe, nos dias que antecedem a prova começa a minha correria, e com isso só pude fazer o tradicional treino: “Barreiro x Alphaville (I/V)”. Em seguida, deixei a minha bicicleta para os cuidados do amigo David (m.c.c. “Birosca”) na Tripp Aventura para revisão completa da mesma. Nesta oportunidade foi necessário trocar o cassete (Ultegra 11v “11×32”), corrente (Ultegra 11v), e Movimento Central (Praxis). Dada a pressa, não pesquisei muito e comprei alguns componentes pela internet (paguei o pato). Mas enfim, com esse trato dado pelos amigos, a minha Roubaix ficou praticamente zerada para o L’Étape, a qual fui buscar um dia antes da viagem!!!

Tripp Aventura BH

Revisão na Tripp Aventura

Conforme prometido, separei o manto do Pelotão Tereza com carinho, sapatilha nova combinando com as cores da camisa, bretelle feito pelo amigo ciclista Gabriel (Silque.com), meias da HUPI, e tudo mais que seria necessário. Vale lembrar que tenho cortado drasticamente o uso de suplementação, e até mesmo sofro um pouquinho mais em provas e pedaladas que faço pelas nossas estradas – mas no final, minha recuperação (principalmente estomacal) é muito mais rápida – e naquela regra: “Menos é Mais”!!! Previsão do tempo em mente: 80% de chuva dizia os canais oficiais, ou seja, toda proteção necessária estava pronta também!!!

Então vamos nessa!!! Na sexta-feira à tarde, na viagem tive a grande companhia, mesmo que em carros separados pelas estradas, do amigo Presidente da “Tereza”, Adalberto Neiva e sua esposa Kertoly!!! Assim, “descemos” a Rodovia Fernão Dias até Pouso Alegre/MG onde o casal ficou para visitar familiares, e eu segui para Campos do Jordão/SP, onde moram meu pai e parentes!!! Cheguei na cidade natal já quase meia-noite, acordando a todos: faz parte (mas cabe algumas desculpas também)…

Portal de Campos do Jordão/SP

Portal de Campos do Jordão/SP

No Sábado, após ir visitar minha mãe, irmã, cunhado e a duplinha de sobrinhos em São José dos Campos/SP e almoçar com eles, voltei para Campos do Jordão para a retirada do kit atleta no Village do evento. Chegando ao local vi um carro azul todo adesivado e com o principal na lateral: Peloton BH – ao lado o pessoal de Belo Horizonte caminhando (é claro que mexi com todos – Arlam, Maranhão, Lovalho): bacana demais!!! Voltando a vaca-fria… Já no Village, e aqui cabem certas observações quando comparadas aos anos anteriores que participei. Lembrando que nesse ano não entregaram o kit “Boas Vindas” que continha um adesivo com a Logo Oficial do L’Étape (acredito que todo ciclista deveria ter um), e a camiseta que, somente, em teoria o participante da prova teria – ponto negativo desse ano a não entrega. Mas enfim, vamos buscar o kit atleta, e aqui não há comparação na estrutura de entrega, apesar do Museu da Ferrovia em Campos do Jordão ser bem legal de se conhecer (simples, mas rico); agora o kit atleta, pelo preço pago e quantidade de “patrocinadores” e dito “apoiadores” do evento poderiam oferecer mais do que apenas o Bretelle e Camisa, e um adesivo tosco de propaganda da Mitsubishi (o meu estava todo amassado e foi pro lixo ainda no Village). Da mesma maneira que Mauro Ribeiro, a ASW pecou na qualidade na segunda oportunidade de fabricar os uniformes para a prova, naquela regra: primeira oportunidade o material foi excelente, já na segunda oportunidade pecaram na qualidade e falta de padrão. O uniforme deste ano não estava bom, com acabamento mal feito, design gráfico pobre, e ao colocar a camisa tamanho M ao lado da mesma camisa M do ano anterior, a atual é G (infelizmente) – e se pensar que perdi peso em uma ano (virou balaio); as costuras do Bretelle também deixaram a desejar no acabamento, principalmente no ponto onde há corte a laser (ideia fantástica, porém, mal feita desta vez). E o que mais tinha no kit!?!? Apenas a numeração para colocar na bicicleta, e nesse quesito gostei do esquema do chip: discreto e de plástico firme!!! Aliás, aqui dou uma sugestão aos organizadores, onde ao invés de entregarem aquele adesivo de numeração que fica no canote do selim, e na medida que começa a pedalar, ou ele rasga ou fica dobrado sem serventia alguma – vocês poderiam fazer aquelas plaquinhas como as utilizadas nas grandes provas de ciclismo, que além de rígidas servirão de souvenir ao final (pensem com carinho nesta) – eu no caso, fiz uma adaptação com papel cartão por dentro que manteve o mesmo firme durante toda a prova!!! E vocês sabem como é barato, ainda mais se pensar na quantidade de inscritos: façam as contas e a nossa satisfação, clientes ou melhor: ciclistas, estará garantida!!! Ainda no Village encontrei o casal de amigos Adalberto e Kertoly caminhando pelo local, claro: saímos caminhando juntos – aqui cabe comparação com os anos anteriores: o Village em Campos do Jordão foi melhor distribuído e com espaço suficiente para caminharmos e poder conhecer todos os Stands de “Patrocinadores” (que na verdade pagaram e muito para terem seus espaços – e é nessa hora que vemos o poder de uma marca/empresário), sem contar a possibilidade de sair do Village e curtir a Praça de Capivari (centro turístico de Campos do Jordão) com dezenas opções de alimentação, compras, e curtição – em Cunha era apenas o Village. Eu, particularmente, sabia que a diferença seria absurda, e gostei muito de ver meus conterrâneos dando o seu melhor para que o evento seguisse grandioso. Antes que eu me esqueça, não poderia deixar de mencionar o encontro com o grande ciclista Marcelo Florentino Soares – o Mixirica – que nos atendeu humildemente, como sempre, numa boa conversa sobre a participação dele na RedBull Transiberiana completada pela terceira vez (o único no mundo a cumprir a prova em três anos seguidos), e que agora ele consiga recursos para poder mostrar seu talento na Race Across America (completada 5 vezes pelo saudoso Claudio Clarindo). Mais tarde, antes de ir para a casa do meu pai, com fome eu tinha que passar no Pastel do Maluf e saborear aquele pastel que, na verdade, é uma refeição: pedi o simples de pizza (quase não aguentei) com guaraná – que foram degustados com um bom som ao vivo – e a praça seguia enchendo de gente!!! Fui pra casa enfim, e lá ainda comi dois pedaços de pizza com meu pai, minha prima e marido – sem exagerar, afinal, mesmo a pizza estando deliciosa, eu precisava dormir bem para acordar cedo!!! Antes de dormir: tudo separado para que nada falte no momento da prova!!!

Mixirica & I

Marcelo “Mixirica” e eu

Painel

Painel com os nomes inscritos

Dia D: E o despertador não falha, uma vez ajustado: BINGO (05h30), ele cumpriu o seu dever!!! Joguei uma água no rosto, tomei café e fui colocar a roupa!!! Meu pai até acordou, e antes de sair me deu um importante abraço, tiramos foto e já vimos algumas ciclistas (Time LuluFive) passando rumo ao local de largada!!! Fui também!!! A distância é relativamente curta, apenas 3km, o suficiente para acordar as pernas dizendo a elas que mais pra frente terão um grande desafio!!!

Ready to Go

Hora de partir

Cockpit

Cockpit

Momentos bacanas e que sempre fazem dessa prova um dos eventos mais legais que existem, não desmerecendo outras provas, mas aqui no L’Étape Brasil, pela quantidade de ciclistas e familiares no local do evento, você ainda pode encontrar amigos de Belo Horizonte/MG, Santos/SP, Varginha/MG e poder abraça-los desejando uns aos outros “Boa Prova” é, simplesmente, impagável!!! E aqui cito o mestre Paulo Blade, amigo de Santos que me ensinou muito como pedalar pelas estradas e, porque não dizer, junto ao Cláudio Clarindo, Alexandre Bérgamo, Jacó Amorim, Renato Araújo, Eron Moura, me inspiraram a seguir pedalando, sempre os carregarei em meus pensamentos e no coração: #SomosTodosCLRTeam. Outro membro que inspira, e que tive o imenso prazer de conhece-lo há dois anos no L’Étape Brasil (em Cunha), morador da grandiosa Varginha, o amigo Ronaldo “Bruto” Figueiredo – que naquele ano usamos exatamente o mesmo uniforme, e em Campos do Jordão ele apareceu compartilhando seu sorriso de sempre: feliz demais em revê-lo Ronaldo!!! E claro, não poderia esquecer da Dama de BH, que sempre bem representa a força da mulher nas provas de ciclismo (Estrada e, principalmente: Mountain Bike), Arlam Abbas – que alegria a minha de vê-la junto de toda galera de Belo Horizonte se alinhando nos pelotes de largada – isso que faz esse esporte ser tão inclusivo e agregador!!!

Ronaldo Figueiredo

Eu e Ronaldo

Paulo "Blade"

Blade e eu

Arlam Abbas

Eu e Arlam

Pelotão 4

Antes da largada

Prova: Bora pedalar!?!? Sim, saí no quarto pelotão nesse ano, um a menos que o ano anterior!!! Bom sinal, mas percebi que isso não tem muito a ver, afinal, vários ciclistas bons largaram atrás, e outros iniciantes lá na frente (de boas)!!! Ao bom som de AC/DC recebemos todos o chamado para se alinhar para curtas instruções, e a contagem regressiva: começou a prova pra valer!!! Partimos da Praça do Capivari com destino inicial de subir para a Estrada do Alto da Boa Vista (bom, é assim que identifico aquele trecho) – uma pena perceber que desde o reconhecimento na primeira metade do ano, até o dia do evento não arrumaram o asfalto e o segmento do Strava “Mais Cratera que na Lua” ainda continha suas crateras!!! E como o esperado, por volta do sétimo quilômetro a primeira parede, curta (quase 500 metros), mas íngreme, e se não me engano deve ter chegado próximo de 20% de aclive: pesado, e alguns subiram empurrando já no primeiro teste de aquecimento, ou posso chamar de “Subida Bom Dia – Bom Pedal”!!! Desse ponto em diante um sobe-desce tranquilo, e assim, não sei se todos perceberam, mas atravessamos a cidade por cima até chegar no Topo da Serra Velha para o Downhill de 13km (aproximadamente)!!! Notícia triste é que, justamente, nesse ponto de início da descida um ciclista caiu bem na minha frente, e eu quase poderia ter caído junto, espero que ele esteja bem – pois a bicicleta teve a roda quebrada quando olhei para trás… E a descida da Serra Velha é pura curtição pra mim, e sem trânsito então: maravilha!!! Quem me conhece sabe que não sou veloz, mas usando freios a disco, até me senti confiante podendo frear mais dentro das curvas sem ressentimento, e assim fiz bem a descida. Vale lembrar que há perigosas curvas, e o tempo sem chuva, naquele momento, ajudou muito a todos nós!!! No Downhill você também nota bem a diferença dos ciclistas de elite contra os amadores (como eu): a minha média na descida ficou em torno de 49 km/h, enquanto dos profissionais quase 60km/h (Otavio Bulgarelli, o vencedor: 59 km/h)!!!

Seguindo o percurso de alguns sobe-desces na estrada SP-050 (Rodovia Monteiro Lobato), no novo trajeto dobramos à direita todos os ciclistas do percurso completo, sentido Sapucaí Mirim/MG, onde pegou alguns de surpresa pela subidinha na volta (bem íngreme) – uma pena que antes de retornar a galera não pode conhecer um ponto turístico da região, o Carrefúlvio (Mercado que tem o mesmo símbolo do original Carrefour)!!! Mas voltando com a subida íngreme, vimos que alguns tinham errado algumas curvas, e infelizmente: novas quedas… Já na SP-050, fomos sentido à Monteiro Lobato, e aqui sinto a alteração do trajeto fez com que perdêssemos todos a Serra de Monteiro Lobato, tanto na ida quanto na volta um visual muito bonito e de mata fazendo sombra em quase todo o trajeto, mas acontece, tivemos que voltar antes desta oportunidade… E dentro do novo trajeto, voltando sentido Campos do Jordão, outra entrada à direita: sentido para quem vai para Santo Antônio do Pinhal/SP, com outras subidas íngremes!!! E digo: o pessoal da Organização do L’Étape Brasil caprichou nessas escolhas para substituir o trajeto original e não perder na altimetria!!! E não foi novidade ouvir que ciclistas tinham caído numa curva ou noutra, e compreensível: subir empurrando a magrela…

Após esse bate-volta num ponto qualquer de Santo Antônio, voltamos todos à SP-050 para enfim dar início ao Desafio Rei e Rainha da Montanha, ou seja, subir a Serra Velha de Campos do Jordão/SP!!! Mas antes, aproveitei no km 69 (Posto de Hidratação, Alimentação e Suporte Mavic) para encher a caramanhola de água, tomar mais água, ir ao banheiro, tirar a segunda pele que estava por baixo (afinal, o calor já estava dando as caras)!!! E aqui o meu profundo agradecimento ao pessoal técnico da Mavic, pois não estava conseguindo engatar a marcha do último cassete, o essencial para a subida que vinha pela frente, sim: o de 32 dentes!!! Eles ajustaram todo o sistema!!! Ficou excelente!!! Obrigadão Mavic!!!

Bora pedalar, isso é o que importa!!! E assim comecei a subir a Serra Velha, bem tranquilo, pois eu tinha em mente o Pico de Itapeva, agora não sei se isso ajudou ou atrapalhou, mas segui meu caminho… Em um dado momento encontrei com a amiga de BH Arlam, fomos juntos alguns quilômetros da subida até ela dizer pra eu seguir em frente… Minha alegria foi encontrar um belo carro azul, todo identificado com a logo do PelotonBH, e lá estava o grande ciclista/fotógrafo Gustavo Lovalho, onde na hora comecei a cantar César Menotti & Fabiano: “Pois não há lugar melhor que BH”!!! Gentilmente ele me ofereceu água de coco e muitas outras coisas, me refresquei com a ótima e bem-vinda água de coco que me ajudou muito na subida, na verdade deu uma força tremenda no restante da Serra Velha!!! E seguindo em frente, por alguns quilômetros um ciclista com caixinha de som na sua bicicleta animou a subida de todos que ali estavam!!! Do nada, senti uma dorzinha da virilha, e na hora parei pra relaxar, afinal, sinais servem de alerta para algo que se não for interrompido pode ainda piorar a situação. Alonguei um pouco, tomei bastante água, comi um pedaço de mix de cereais, e num ritmo mais leve fui pedalando até que em pouco mais de 01 hora terminei feliz os quase 13 km de subida!!! E vale agradecer aqui que nesse intervalo final tive a ótima companhia do amigo de Santos, o Caio Fontes e sua bela Pantera Negra – oh saudades de Santos e toda aquela turma boa de pedal – de todos guardo com carinho alguma boa história e lembrança!!!

Após o término da Serra Velha, um mini downhill passando em frente à fábrica da melhor cerveja artesanal que existe: Baden-Baden (tenho que defender, é da minha terra)!!! E dar início à travessia da cidade, e aqui deixo novamente o recado ao prefeito: por favor, cuide melhor da cidade, afinal, as ruas fizeram com que o L’Étape Brasil tivesse um trecho de Paris-Roubaix inesperado para todos, dito isto, recuperem esse asfalto que é de muita utilidade para os que nela transitam diariamente!!!

E enfim o início da subida para o Pico de Itapeva, e pela segunda vez senti um puxãozinho na virilha, e no começo da subida parei. Fico muito agradecido por diversas pessoas oferecerem ajuda, com água, sal, gelo e tudo mais: o meu agradecimento – não esperaria mais de um pessoal bacana que vive em Campos do Jordão e receberam tão bem a prova. Não tinha prestado atenção até ver que realmente naquele ponto da prova muitos ciclistas estavam exaustos, muitos pararam ali para alongar, receber uma massagem e se hidratar, em meio a uma subida íngreme (mais uma) e longa, onde a inclinação alternava de 5 à 14% para judiar de quem acreditou ser fácil, não poderia, afinal: ali era L’Étape Brasil!!!! Novamente encontrei, ou melhor, quando olhei pra trás ao ouvir música vi aquele ciclista que na Serra Velha nos deu o som de graça para animarmos!!! Puxa, queria saber o nome dele, mas ao menos agradeci umas dez vezes a presença dele ao nosso lado!!! No caminho para o Pico de Itapeva tem um belo lago que merecia uma foto, mas infelizmente, os trovões anunciaram uma mudança no tempo, e nesse caminho começou a garoar, depois chuva leve e a pista ficou completamente molhada e perigosa nos sobe-desces que ainda tínhamos pela frente… Mas enfim, no km 100 chegamos no Pico de Itapeva!!! E para minha alegria, Arlam e alguns amigos do PelotonBH chegaram com ela logo atrás de mim, eu parei para me hidratar e eles não… Chovendo agora coloquei a blusa impermeável, e voltei ao pedal sabendo que pela frente ainda teria uns 4 quilômetros de “subidinhas” bravas, em alguns pontos batendo 16%… Mas o que me deixou feliz nesse intervalo foi encontrar o meu primo Victor Hugo, que estava trabalhando na prova – parei e lhe dei um abraço – obrigadão primo, você me deu energia para os quilômetros finais!!! Seguindo, a descida até Capivari foi um deslumbre, passei alguns ciclistas, a amiga Arlam, e cheguei na parte plana com destino aos metros finais da chegada!!!

Me senti um vencedor de etapa no Tour de France, desculpas, mas aqui não cabe ser humilde, e sim feliz!!! Com os braços abertos na reta final, agradeci ao público presente que aplaudia!!! Uma pena a empresa responsável pelas fotografias do evento não terem registrado esse momento que ficará na minha memória para sempre!!! Minha meta era fazer a prova em menos de 6 horas, afinal, no reconhecimento fiz em 06h15min – no dia do L’Étape Brasil, valendo mesmo, consegui fazer em 05h45min!!! Consegui!!!

No final das contas

Com Medalha pendurada e Macarrão na mão!!!

Pós-prova: Encontrei novamente o pessoal de BH que ali estavam, tiramos fotos, eu me senti penetra, mas a felicidade e satisfação eram tanta que nem deu pra pensar na hora!!! Afinal, ali eram PelotonBH e Pelotão Tereza unidos no final!!! Peguei minha medalha, a terceira de uma prova que passo um ano esperando, desde minha primeira participação em 2016. E fui direto para o Pasta Party: obrigadão pelo macarrão que estava delicioso!!! Também conversei com ciclistas durante a confraternização de fim de prova, pessoal com astral muito bom: curti cada boa conversa!!! Antes de ir para a casa de meu pai, encontrei o amigo Adalberto e sua esposa Kertoly a quem devo agradecer demais pela boa companhia e permitirem que eu use o manto do Pelotão Tereza!!! Em seguida deu tempo de ver o pódio, com o vencedor Bulgarelli levantando seu troféu: Parabéns pela conquista!!!

Hora de compartilhar com meu pai

Com o meu pai no final

Agradecimentos: No mais é isso pessoal, uma prova sendo sediada em uma nova cidade, tão pedida por todos nós, Campos do Jordão mostrou porque merece ser a sede oficial por anos desta prova. Conforme citei no decorrer do texto, detalhes precisam ser ajustados, e se caso forem levados em consideração, farão da região da Serra da Mantiqueira, um dos lugares mais buscados por praticantes de ciclismo no país!!! Eu só tenho a agradecer a todos, pois curti muito a prova, em todos os aspectos voltados para o ato de pedalar: perfeito!!! Por mais técnica e difícil a prova, todas as sinalizações e fiscais de prova estavam devidamente identificados, permitindo ao ciclista se antecipar às decisões!!! A questão de hidratação foi posicionada adequadamente nos pontos cruciais, não faltando nada, água e isotônico para todos, frutas e salgados também, assistência técnica da Mavic (fixa ou móvel: funcionou como o esperado)!!! A minha única nota triste ficou por conta do péssimo serviço prestado pela empresa FOTOP, que a cada ano piora sua qualidade de serviço, colocando diversas fotos repetidas e mal ajustadas, e em alguns casos, com o meu número de inscrição aparecem fotos onde não estou presente (por que cobram por isso???), e na chegada, o momento mais importante para que cumpriu a prova, onde estão os fotógrafos!?!?!? Pelo meu número tem uma foto que nem ciclista aparece na imagem, outra câmera fixa no alto com uma bandeirinha na frente do relógio impedem você ter o seu tempo alinhado a chegada; enfim, tenho outras dezenas de observações do quão ruim é o desserviço prestado por essa empresa (valem um post imenso com tudo que tenho para mostrar sobre a FOTOP)…

E vamos falar do que realmente importa, os agradecimentos que preciso deixar registrado são essencialmente esses: à minha querida esposa Roberta, por mais uma vez permitir que eu me aventure nas estradas por aí, só ela sabe como sou nessas horas de participação em provas, mesmo sendo na minha cidade natal, ela sempre fica com o coração na mão, obrigadão minha linda: te amo!!! Ao meu pai, que me recebeu em seu cantinho, com todo o carinho e atenção, não deixando faltar nada: obrigadão!!! Minha prima Kelly e seu marido Paulo pelo carinho de sempre, e sim: a pizza estava ótima, uma pena eu não poder comer muito (risos)!!! Ao meu primo Victor Hugo, que antes da prova e no final da mesma me passou energia positiva: obrigadão!!! Não podendo esquecer dos amigos de todos os lados que de alguma forma enviaram mensagens positivas!!! Aos amigos da Tripp Aventura (David Birosca, Ernane e Gustavo) que me atenderam bem e cuidaram da minha Roubaix com toda atenção!!! Aos amigos do Pelotão Tereza que permitiram o uso do uniforme da equipe na prova, e claro, na viagem e prova, o presidente Adalberto e Kertoly dando aquela força!!! Aos ciclistas que participaram da prova, e que certa forma, lado a lado incentivamos uns aos outros!!! À organização do L’Étape Brasil por toda a estrutura montada para a prova!!! Enfim, a todos o meu muitíssimo obrigado por toda ajuda de sempre!!!

No mais é isso meus amigos, mais uma prova vencida com garra e alegria de ter pedalado na minha cidade natal!!! Que venha 2019 e mais uma edição do L’Étape Brasil na querida Campos do Jordão/SP – a Suíça brasileira!!!

Um grande abraço a todos que até aqui acompanharam minha resenha!!!

Inté a próxima…

Alessandro Martins.

 

PS:Próximos eventos (possíveis): BRM200 – Campos do Jordão/SP (Audax SP Clube Randonneur) – 08/dezembro/2018.

 

 

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BRM300 – Itaúna/MG – Inconfidentes Pedalantes Clube Randonneur

Olá meus amigos, depois de um certo tempo sem escrever até parece algumas ferrugens… E é claro que depois de pedalar meu primeiro BRM (“Brevet Randonneur Mondiaux”) de 300 quilômetros não sairia sem uma resenha, mais simples, porém, registro válido!!!

BRM300 - Itaúna

Trajeto e Altimetria

Como o de costume, a prova na verdade começa bem antes do dia em que realmente saio pedalando por aí, ou seja, na semana da mesma a correria é para que a lista de detalhes tenha todos os itens cumpridos. Esta lista é praticamente dotada de itens como: Revisão da Bicicleta, Equipamentos de Segurança, Peças, Roupas, Reserva de Hotel, Alimentação etc. E a surpresa da vez, foi a necessidade de comprar um colete térmico, o que pode ser usado em caso de emergências (hipotermia, por exemplo) quando a noite vier e a temperatura ambiente e do ciclista baixar a níveis de atenção – com isso comprei o importante item!!! Na mesma loja, pude comprar algumas bolsas de quadro para poder levar mais suprimentos, afinal, agora são 300 quilômetros – diferente do que eu já estou acostumado ao enfrentar os 200 e não levar muita coisa (onde vale a regra: Menos é Mais).

Pois bem, no que tange a estratégia para a prova, eu cheguei a esboçar duas sabendo do limite de 20 horas para cumprir a prova. Assim como na primeira vez que fiz o BRM200 (tempo limite de 13h30min) e a terminei quase no tempo limite, a primeira estratégia para o BRM300 foi a de não se importar com o tempo e simplesmente pedalar, nem que fosse próximo das 20 horas para completar, assim poderia curtir mais e aproveitar tudo o que esse tipo de prova exige!!! A outra estratégia que pensei foi a de tentar completar entre 16 e 17 horas, com base no ritmo que tenho nas distâncias inferiores; uma vez que a largada estava marcada para as 08h00, a pretensão (segunda) era de chegar até 01h00 da manhã do dia seguinte. Enfim, ainda na segunda opção, a ideia seria de manter algo em torno de 20km/h de média, já considerando todas as paradas nos PCs (carimbo no passaporte), assim como, PCFs (para fazer as fotos pedidas pela organização), e eventuais paradas (pneu furado, comprar água e comida)… Lembrando que o limite de tempo é global de prova.

Antes de partir para Itaúna/MG, ficou aquela indagação financeira: vou um dia antes (mesmo após a faculdade que termina às 22h30) para dormir na cidade da largada/chegada, ou deixo tudo pronto e saio às 05h30 para encontrar com a galera antes da largada, fazendo check-in no hotel e vistoria dos equipamentos antes da largada?!?!? Uai, economizaria um dia de hotel, então: após dormir bem e tomar um café em casa, saí de Belo Horizonte/MG na manhãzinha mesmo!!! Só um detalhe: precisava abastecer e só fui encontrar um posto na Rodovia Fernão Dias (acontece).

SPZ Roubaix SL4 Comp Disc (2015)

Specialized Roubaix SL4 Comp Disc (2015)

A viagem foi tranquila e conforme esperado, cheguei em tempo de me apresentar no hotel, fazer a vistoria, colocar tudo em ordem e antes da largada ouvir o Briefing feito pelo amigo Andrei!!! Vale lembrar que os ciclistas neste dia, na sua maioria estavam fazendo a prova BRM600 para serem considerados “Super Randonneurs” (bacana demais) – de conhecido por mim estava o Tatuí (Stevão Gomide), este pedala pra caramba!!!

Largada

Momento antes da largada com os ciclistas participantes. Foto: Andrei.

Largada ao PC1 (68,5km) – às 08h00 partimos todos juntos da Praça da Matriz na cidade de Itaúna/MG com destino ao PC1 no Restaurante Balaio de Minas, em Marilândia/MG, no km 68 da prova. No meio do caminho passamos por Divinópolis/MG (terra do grande Randonneur Daniel Nelore – quem não o conhece, procure saber: pedala muito), e claro, não podia deixar de registrar, nunca vi tanto sobe-desce na minha vida após Divinópolis/MG!!! Neste intervalo me ocorreu que precisava esvaziar a bexiga: não existe alívio maior – dois litros a menos de peso pra carregar!!! Bom, vamos ao que interessa: após 02h45min cheguei ao PC1, onde com alegria encontrei o Nelore para carimbar o passaporte, também comi uma coxinha com Coca-Cola, abasteci a garrafinha de água, paguei a conta e parti para o PCF1.

PC1 - Restaurante Balaio de Minas

PC1 – Restaurante Balaio de Minas @ 68,5km

PC1 ao PCF1 (81,7km) – Após uns 20 minutos no PC1 fomos todos saindo com destino ao primeiro PC Fotográfico, no caminho para Cláudio/MG. E assim continuou o sobe-desce, e neste trecho fomos alertados pelo Nelore que havia um ponto conhecido por Rampão, e realmente o nome condiz com a experiência vivida na ida e na volta!!! Com a galera se dispersando mais, praticamente haviam duplas/trios pedalando juntos, e sempre com alguém na vista do horizonte. Sem muito “Lero-Lero”, após uns 50 minutos chegamos para fazer a fotografia (autorretrato) no Posto Beira Rio (na BR 494)!!!

PCF1 - Posto Beira Rio

PCF1 – Posto Beira Rio @ 81,7km

PCF1 ao PCF2 (98,2km) – Agora de maneira ainda mais isolada, cada ciclista foi no seu ritmo para chegar à cidade de Cláudio/MG, onde seria feito o segundo registro fotográfico deste BRM300. Não conhecia essa região de Minas Gerais ainda, mas achei muito prazerosa a pedalada no também sobe-desce que tinha pela frente!!! Uma parte com pista duplicada, onde além do acostamento havia uma faixa exclusiva para ciclistas – fica a dica governantes!!! Como era feriado de 7 de setembro, muitos estudantes nas ruas, que mesmo nos chamando de bicicleteiros ainda ajudaram a nos orientar na cidade para encontrar o caminho que o mapa deu uma saída (pedia para entrar numa rua que não existia, mas enfim, randonneur tem que saber se virar)!!! E assim foi, após mais uns 50 minutos pedalando chegamos à Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição em Claúdio/MG para também registrar o autorretrato desta passagem. Aqui cabe um detalhe: não me atentei a abastecer a garrafinha de água quando tive a oportunidade em Cláudio/MG – me desculpa o político romano, mas aqui o erro foi Crasso.

PCF2 - Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição

PCF2 – Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição @ 98,2km (Cláudio/MG)

PCF2 ao PC2 (127km) – lembram-se do PC1? Pois bem, agora era voltarmos para o mesmo, no Restaurante Balaio de Minas, em Marilândia/MG. E conforme dito anteriormente, esqueci de comprar água, neste trecho fui administrando até a quantidade de goles que dava, e para piorar (pelo horário) na metade do dia a temperatura estava em torno de 35°C – haja controle nessa hora!!! Querem dificuldade? Lembram do Rampão!?!? Lá estava ele, naquele lugar esperando por nós, naquele calor infernal, e pensando no Biafra cito: “Subir, subir, ir por onde for”!!! Só assim mesmo para ir vencendo numa prova longa os desafios que surgem. E após 01h20min de pedalada após Cláudio/MG, enfim, com garrafa vazia e sede, cheguei ao PC2 para ter meu passaporte carimbado, sendo filmado pelo amigo Andrei, a fome apertada após quase 6 horas de pedal completados naquele momento. Ali praticamente todos se encontraram, com boas conversas, dicas de como levar em frente a prova (e aqui guardo uma dica onde o Nelore me fez lembrar um grande ciclista que não está entre nós – Cláudio Clarindo – o fato de fazer pequenas provas dentro de uma de longa distância, dividindo a mesma em metas curtas, ajuda o psicológico nas horas mais difíceis, e isto é fundamental). Tenho aqui a proposta aqui de relatar as coisas boas e acontecimentos comigo, portanto, não relatarei inconvenientes como o ocorrido no Restaurante Balaio de Minas (informarei apenas a equipe da organização da prova, caso precisem da opinião), dito isto, seguimos em frente, afinal, para quê estamos na estrada senão pedalar!!! Para não cometer a estupidez de não comprar água, dessa vez, além de encher a garrafinha, comprei dois Gatorade e coloquei as mesmas nos bolsos da camisa, mesmo sabendo que iria esquentar, enquanto elas estavam geladas aliviam minha lombar!!!

PC2 - Restaurante Balaio de Minas

PC2 – Restaurante Balaio de Minas @ 127km (Marilândia/MG)

PC2 ao PCF3 (190,4km) – Bom, de barriga cheia todos somos felizes. E agora o destino será Perdigão/MG. Pelo mesmo sobe-desce que nos levou à Marilândia/MG, voltamos a Divinópolis/MG seguindo para o PCF3 em Perdigão/MG, naquela tarde quente da região Oeste de Minas!!! A caminho de Perdigão/MG, trecho que eu conheci no BRM200 de 2017 fui administrando as pernas, pois começaram a dar sinais de cãibras. E também num ritmo solitário, pois agora não se via mais ninguém, segui em frente com as minhas conversas comigo mesmo, narrando minha corrida e viajando na maionese!!! Teve até um lugar, que realmente agora não lembro o nome, quando fui comprar água vi que tinha pouco dinheiro em espécie e logo perguntei ao vendedor: “Boa tarde, o senhor aceita cartão?!?”, resposta curta e rápida: “Não” – e aqui fica mais uma lição: a de não esquecer de levar dinheiro em espécie o suficiente para os momentos de emergência!!! O pior que tentei sacar na noite anterior, mas o Caixa 24h não tinha mais dinheiro; deixei para o dia seguinte e acabei me esquecendo… Bom, segue o pedal!!! No km 172 era o momento de pegar a MG 252 sentido Perdigão e pelo conhecido lugar, bonito por sinal, estava chegando a hora do pôr-do-sol, e o registro na memória é indescritível – mesmo tendo que pedalar forte pra fugir de dois cachorros raivosos a solta na beira da estrada (quase cãibra dessa vez). Com muita alegria, após quase 03h30 pedalando 63km, cheguei já no início do anoitecer à Perdigão/MG para o autorretrato em frente à Igreja Matriz da cidade. Aqui novamente perguntei aos comerciantes sobre a existência de máquina de cartão, e nada. Mas tinha o suficiente para o que vinha pela frente: o próximo PC, de número 3!!!

PCF3 - Igreja Matriz de Perdigão

PCF3 – Igreja Matriz de Perdigão @ 190,4km (Perdigão/MG)

PCF3 ao PCF4 (230km) – Boa notícia!!! Lembram das quase-cãibras?!? Com o pôr-do-Sol, a temperatura baixou gradativamente a partir de então, e em ritmo leve, afinal, eu conhecia pedalar e me poupar para pedalar 200km, e já estava prestes a completar essa distância sabendo que vinham mais 100km pela frente, elas (as quase-cãibras) praticamente desapareceram. Conforme o trecho anterior, sigo solitário na prova, afinal, não via ninguém pedalando, uma porque a galera do BRM600 que foram para Perdigão/MG seguiram em frente para outro destino, e no BRM300 que eu estava fazendo não tinha ideia de onde estavam o pessoal (apenas sabia que haviam dois guerreiros a minha frente). Mas algo aconteceu, no meio daquela pedalada noturna, onde eu tinha apenas a visão do que o meu farol iluminava (além, é claro, de olhar para trás no meio daquele breu ver as estrelas brilhando forte), num desses pontos onde um carro ou outro o ultrapassa, passou um colega randonneur no sentido contrário, infelizmente não sei quem era, mas o suficiente para saber que é gente boa, pois ouvi um famoso: “Ooooba”, em meio a tudo aquilo!!! A vantagem desse trecho era que na sua maioria seriam descidas maiores, e nelas pude descansar as pernas à medida que a temperatura baixava. E de volta à BR 494 parei no trevo para ajustar alguns detalhes: comer e beber, ajustar as luzes e pronto!!! Mas nem um minuto depois parei novamente, pois na primeira descida o frio apareceu cortando!!! Assim não dá, não é mesmo!?!? Hora de colocar os manguitos e pernitos de frio, fechar o corta-vento refletivo e na cor amarela (desta maneira não há como não ser visto na beira da estrada)!!! E neste trecho para chegar à BR 262, vários pontos onde o acostamento estava trepidante e sujo, sendo necessário pedalar na pista de rolagem mesmo, e em certos momentos haviam sim acostamentos lisos como todo randonneur sonha!!! Como disse anteriormente, fazer 200km eu sabia, agora era aprender a fazer os 300km – e dessa maneira tudo era aprendizado em meio à beleza de se pedalar a noite, ouvindo sons estranhos no meio do mato, aquele eterno entra e sai do acostamento, céu estrelado, buzinadas pelas costas, farol alto dos carros que vinham no outro sentido… Ai, ai, isso é o que representa o famoso jogo-da-velha: #AERP (se não souberem como eu não sabia, perguntem-me o significado)!!! E enfim, chego a BR 262 que conheço de alguns pedais anteriores, a diferença que agora o pedal é noturno e já estou com mais de 222 km nas pernas!!! Tranquilamente e cansado fui até o PCF4, na Rodoviária de Nova Serrana/MG, onde por uns 10 minutos comendo um salgado e tomando uma Coca-Cola estiquei as pernas, e claro: perguntei e a resposta foi SIM (aceitam cartão)!!! O psicológico agora informa: falta apenas 70km. Com isso em mente, nem lembrava do PC3, que só percebi que no momento relax de 10 minutos, olhei no grupo do Whatsapp, que o grande ciclista Leandro Rangel lá se encontrava (se soubesse antes, deixaria o abastecimento para ser feito lá), mas enfim, pedal que segue!!! Acabei comprando água e um pacote de bolacha recheada pra acompanhar a noite!!!

PCF4 - Rodoviária de Nova Serrana

PCF4 – Rodoviária de Nova Serrana @ 230km (Nova Serrana/MG)

PCF4 ao PC3 (231km) – Tão perto que se eu não olhasse no celular eu poderia ter passado reto. E aqui fica a dica, sempre é bom olhar as informações da planilha, checar as baterias dos equipamentos eletrônicos e ser feliz!!! A passagem pelo PC3 foi mesmo para dar aquele cumprimento ao Rangel, conversa breve com dicas boas e ter o passaporte carimbado para seguir em frente. Destino: PCF5 em Pará de Minas/MG.

Foto meramente ilustrativa

Foto meramente ilustrativa para mostrar a condição de iluminação na estrada (esta foi tirada logo após escurecer, às 18h46min com 208km pedalados).

PC3 ao PCF5 (272,9km) – Foi nesse trecho onde senti mais o peso da primeira vez, mesmo conhecendo a estrada duplicada e seu bom acostamento, onde é muito seguro pedalar (até mesmo a noite, por que não!?). A salvação foi que tinha bastante água e passatempo no bolso!!! O desgaste real começou a aparecer justamente no intervalo que possui as subidas finais de todo BRM300 (se repararem o diagrama de altimetria, é nos 50km finais que a prova exige completa concentração e força). Posso dizer que a partir do km 261 comecei a fazer as paradas por dores na perna esquerda (esta que acostumei a apoiar mais quando em pé na bicicleta) – praticamente a cada 20 minutos parava-respirava-esticava-comia-bebia!!! Nessa hora pensei no que disse lá no PC2 o Nelore (lembrando Clarindo), várias provas curtas dentro de uma longa facilitam as coisas, ou seja, a partir de então comecei a separar os 40km finais em 4 provas de 10 km!!! Era até engraçado misturar a meta do PCF5 com as “mini-provas” de 10 km!!! Quando dei por mim já estava no PCF5 para novamente registrar um autorretrato em frente à Rodoviária de Pará de Minas/MG. Claro: parei-respirei-estiquei-comi-bebi!!!

PCF5 - Rodoviária de Pará de Minas

PCF5 – Rodoviária de Pará de Minas @ 272,9km (Pará de Minas/MG) – baixa condição de luminosidade.

PCF5 à Chegada (299,3km) – E na minha cabeça, comecei a pensar de outra maneira, e pode parecer bizarro para quem não conhece Belo Horizonte/MG, mas faltando menos de 30 km para terminar, comecei a comparar com o pedal que estaria fazendo na cidade, ou seja, saindo de casa no Barreiro, num bate e volta até a Praça da Estação era o que me faltava!!! Eeeeita: mais uma coisinha para entreter minha cabeça nos quilômetros finais!!! Mesmo sabendo que tinha a famosa subida antes de chegar à Itaúna/MG. Mas assim fui pedalando… Neste trecho final não poderia deixar de lembrar do amigo de Conselheiro Lafaiete/MG, o Everton Paiva, que no BRM200 me acompanhou exatamente neste trecho, aliás, pra falar a verdade desde Nova Serrana, mas neste final, foi onde conversamos bastante sobre diversas coisas boas, teve o pôr-do-sol naquela prova, a descida (quase) final, mas looooonga e divertida!!! Saudades do amigo que espero vê-lo em breve num BRM por aí!!! Como disse, Biafra foi lembrado neste trecho também ao subir-subir!!! E enfim, chegou a uma descida longa, que acredito ter feito a mesma em oração, afinal, não vinham carros praticamente o tempo todo, então me mantive na pista de rolagem!!! Não estava veloz dada a limitação de visibilidade, mas feliz por estar consciente e com as pernas cansadas e quietas sem comprometer o pedal final!!! Num sobe-desce que vocês já devem ter cansado de ler, imaginem eu que pedalei, a felicidade de passar em frente à Universidade de Itaúna era o prenúncio da chegada: falta pouco “b.a.r.a.l.h.o.”. Bom, assim fui, de boas e feliz até chegar à Praça da Matriz de Itaúna/MG, após 299,7 km pedalados, num tempo global de 17 horas (sendo quase 16 horas em cima da minha Roubaix), mas algo aconteceu: “Cadê o pessoal!?!?”

Enfim, aqui termino o relato, conforme disse anteriormente, a intenção desta resenha era mesmo o de compartilhar com vocês toda minha experiência de participar pela primeira vez em um BRM300, aqui organizado pelos amigos da Inconfidentes Pedalantes Clube Randonneur – os pontos negativos e detalhes do ocorrido na chegada, se for do interesse de alguém, é só me perguntar… Aos amigos organizadores, se quiserem, conversamos sobre o mesmo.

BRM300 de Itaúna: Concluído.

Medalha Final do BRM300 de Itaúna/MG.

Posso dizer que, ao final de tudo o que foi descrito acima, fiquei muito feliz em superar esse grande desafio, que acabou no limite da segunda estratégia, se lembram!?!? Completei em 17 horas. Talvez, tenha sido o fato de saber que poderia completar em 20 horas, que fez com que eu seguisse em frente, e aqui cito outras duas frases do eterno Cláudio Clarindo que fizeram com que eu realmente fosse até o fim: “Todas as vitórias ocultam uma renúncia”, e a que me inspira muito: “Insistir, Persistir, Nunca Desistir”.

Com essa lembrança aproveito para agradecer à minha esposa Beta, que só ela sabe o que passamos para eu poder sair de casa e praticar um esporte que “tanto curto – quanto longo”!!! (Beta, te amo). Aos amigos de treinos nos dias que nos encontramos e/ou coincidimos nas ruas e estradas por aí!!! Aos grupos de pedais onde inevitavelmente aprendemos muito com histórias de outros ciclistas, e aqui cito: 100% Speed na Estrada, V3 Team, Pelotão Tereza Cristina (recém-criado, prestigiem, conheçam a turma boa) e MTB Barreiro; sem esquecer das eternas lições que tive ao conhecer os amigos de Santos/SP. Por mais simbólico que seja, a uma medalhinha especial de Nossa Senhora Aparecida, que me acompanhou durante todo trajeto me protegendo. Aos colegas da PUC Minas, que mesmo aceitando minhas loucuras ainda me ajudam com a faculdade!!! Enfim, o meu agradecimento pelas orações, pela torcida, por realmente acreditar nos meus desafios.

Muitíssimo obrigado a todos!!!

Sempre em frente,

Alessandro Martins.

 

Na Estrada com o tio Nilton

Que felicidade encontrar o tio Nilton Lago pedalando na BR 262 sentido BH!!! Pedal de 3 dígitos: outro nível!!! E ele pedala muito.

PS: Na viagem de volta tive o imensurável prazer de encontrar um grande amigo pedalando na BR 262 sentido Belo Horizonte/MG. O tio Nilton Lago, com o uniforme da V3 Team (a mesma que usei no BRM300)!!! Bacana demais!!!

Informações extras:

Dados finais do BRM300

Distância: 299,71km

Tempo Global: 17h05min

Velocidade Média: 18,8km/h

Altimetria: 3.856m

Calorias: 7.868 cal

Temperatura: 9°C (noite) / 36°C (dia)

Ritmo Cardíaco Médio: 141bpm

Bicicleta: Specialized Roubaix SL4 Comp Disc (2015)

GPS: Garmin Edge1000

Faróis: Garmin Varia Head e Tail

Bolsas: BTWIN

PowerBank: Sony (10.000mAh)

BRM200 – Campos do Jordão – Audax Randonneurs São Paulo

Mesmo num calendário maluco que aprontei no final deste ano de 2017, após todos os finais de semana ter algo pra fazer, seja corrida de rua (10km no Circuito das Estações, e 18km na XIX Volta Internacional da Pampulha), encaixei dois BRMs de 200km no meio (BH e Campos do Jordão). O BRM200 de Campos do Jordão, quando anunciado para o dia 09 de Dezembro mexeu comigo no mesmo instante pois não poderia faltar – por dois motivos: nunca participei desta prova na minha cidade natal, e o mais importante era o fato de ser aniversário do meu pai (e eu estava com saudades dele)!!! E logo fiz a inscrição e a preparação para a viagem, afinal, de BH até Campos do Jordão é estrada que não acaba nunca!!!

Como de praxe, na semana que antecede a prova, fiz um giro bacana com o amigo Wellington, que sempre me ajuda e acompanha nas subidas de Anel Rodoviário e BR040, no nosso tradicional bate e volta até o Trevo de Ouro Preto (Alphaville). E claro, na sequência deixei a minha Roubaix na Tripp Aventura (nas mãos do sempre solícito e amigo Ernane – pode confiar sua bike nas mãos dele: recomendo)!!! E lá mesmo na loja comprei os itens faltantes da minha lista: segundo farol traseiro, nova garrafinha de água, aqueles sachês de carboidratos em gel, e o isotônico em pó; de rebarba ainda arrisquei e comprei um novo óculos de ciclista, daqueles que a gente sonha em ter, e um dia assume o risco!!!

Naquela história de onde ficar, resolvi não arriscar, e reservei um quarto na Pousada Venezia em Santo Antônio do Pinhal/SP, pois a largada e chegada seria dada nesta pacata e charmosa cidade no meio da Serra da Mantiqueira. Tratei de organizar tudo para que realmente nada faltasse, afinal, minha esposa iria comigo nesta viagem, onde eu pedalo e ela passeia pela cidade…

Na quinta-feira, a minha correria de sempre, buscar a Roubaix, fazer as malas (e aqui entra aquele dilema de qual será o uniforme que irei usar, mesmo levando 3 opções), carregar os eletrônicos e o meu celular (que agora a bateria não aguenta realmente nada), “comida” de ciclista, e demais acessórios para a magrela aguentar o magrelo pedalando!!! E não é que antes de fechar tudo, lendo o regulamento da galera paulista, e vendo as fotos descubro que aquela luz traseira que comprei não poderia ser usada!?!?!? E por volta das 18h00 pré-feriado eu saio correndo atrás de uma que eu realmente pudesse usar na prova, e nada, nem com a ajuda do meu querido amigo Luiz (Calanguinho) que se esforçou pra me ajudar – e acabei levando uma bolsinha para proteger o celular de água da chuva!!!! Mas enfim, decidi procurar em Santo Antônio…

Como na sexta-feira que antecedia a prova foi feriado em BH, saímos bem cedo, debaixo de muuuuuita água, praticamente a viagem toda caiu água!!! E aquela dor no coração em saber que a bike recém revisada está ali em cima do carro, tomando água de novo, com a sujeira que a estrada deixa encrustada no quadro e componentes e ahhhhh – deixa pra lá!!!!

Tudo certo, chegamos bem em Santo Antônio do Pinhal, no meio da tarde, depois de 06 horas de viagem, lá fomos até a Pousada Venezia, onde fomos bem recebidos, e pegamos a chave para o quarto para descermos todos o material!!! Assim que terminamos, rumamos para São José dos Campos bem rapidinho para procurar a luz traseira que eu precisava, e só uma loja vinha em mente: Gamaia!!! E lá encontramos o que eu precisava – feito isso: volta pra Serra!!! No caminho uma nota triste: um gravíssimo acidente aos pés da Serra de Campos, logo após o Posto da Polícia Rodoviária, onde um carro bateu de frente com um ônibus – infelizmente a notícia foi a de que o motorista do carro faleceu no local.

De volta a Santo Antônio, à Pousada foi hora de deixar algumas coisas preparadas para o dia seguinte, tomar um bom banho e partir pra comer algo!!! Fomos até o Varandas, onde de cara vimos muitos ciclistas reunidos, e até alguns rostos conhecidos!!! Lá fomos nós comer um bom e velho X-Salada Egg (invertido mesmo) – eu queria macarrão, mas dessa vez não tinha… Vieram nos cumprimentar os bons e conhecidos Raniel e Miguel (que dupla bacana), lembrando deles do meu primeiro brevet em Brotas/SP – tempos bons!!! Lanche feito, então era hora de voltar para a Pousada para uma boa noite de descanso…

Dia D, Sábado, 09 de Dezembro de 2017, e realmente bem cedo já estava acordado (05h00) para a prova que tanto esperava. A vantagem de se hospedar em Santo Antônio do Pinhal foi de poder deixar o carro e ir pedalando para a largada. Ainda na Pousada teve a hora do café da manhã, com a galera reunida trocando idéias bacanas, e o que eu sempre achei interessante nesse tipo de prova é que cada um tem algo para acrescentar nessas idas e vindas de Randonneur: sempre é possível peneirar coisas muito boas!!! E pronto: hora de ir pedalando para a vistoria, escutar o briefing da organização, e largar para os 200km!!!

Encontros bem legais antes da partida para os 200km, e um especial: o amigo Ronaldo Figueiredo, de Varginha/MG, um grande ciclista que admiro – pouco antes de sairmos veio me cumprimentar, aí é aquela história de sempre: só o vejo na largada pois o seu pedal está em outro nível – top demais!!!

Bom, de início um retorno feito no centro de Santo Antônio do Pinhal, e de cara, numa das saídas da cidade algo que eu temia e aconteceu: uma parede pra subir pedalando!!! Me recordo que anos atrás fui subir esse mesmo trecho e tive que colocar os pés no chão, respirar fundo pois os batimentos estavam quase 200 – e a pressão quase caiu – na época percebi o quanto eu precisava treinar mais… Mas dessa vez, subi de boas, junto com a galera e sem problemas – gostei!!! Lembrando que após toda subida, há uma descida (e vice-versa), e essa era um pouco perigosa para os desconhecidos – mas os freios a disco são uma benção para qualquer randonneur (vale a pena mesmo), ainda mais que em certas curvas havia aquele resto de chuva, poças de água e galhos/folhas que caem, o que são grande perigo também… Quando chegamos a SP-050 (Estrada de Monteiro Lobato) era só manter um ritmo confortável para quando chegarmos no Trevo “Sul de Minas” era para dobrar á direita sentido/destino São Bento do Sapucaí/SP!!! O acostamento estava bom neste trecho, passando por Sapucaí Mirim/MG (onde tem um posto BR com um excelente pão-com-linguiça)!!! Pedalamos até o PC1 (Auto Posto São Bento do Sapucaí), no trevo de entrada para a cidade – (32km pedalados) às 08h15min: momento de enfrentar a fila para carimbar o passaporte, encher as garrafinhas, comer umas frutas, rever outros amigos e seguir em frente. Por incrível que pareça, aquele mimimi inicial da quantidade de provas, chegou mais cedo do que eu imaginava, afinal, o incômodo de ter feito a Volta da Pampulha apareceu logo depois do PC1: dores na parte traseira do joelho – e o negócio foi reduzir o ritmo e trabalhar com a perna que estava boa.

Como cresci na região, já sabendo do que vinha pela frente nem forcei mesmo, afinal, após o Trevo “Sul de Minas”, virando a direita com destino à Monteiro Lobato/SP, sabia que a sublinha ali seria longa e constante e agradável e tudo mais de bom (desculpas pela falta de vírgulas, pois leia como se eu estivesse falando empolgado)!!! Lembram do subir que logo tem descida!?!? Pois bem, uma longa e prazeirosa descida até o planalto para chegar em Monteiro Lobato!!! E já com 74km nas pernas, a entrada à direita na Praça Comendador Freire com destino a um lugar que sempre esteve na minha lista de viagens: o distrito de São Francisco Xavier!!!! Um subida interminável pra chegar até lá pela SP-027, e com pouco mais de 90 quilômetros chego ao PC2 na Praça Cônego Antônio Menzi, onde muitos ciclistas estão se refrescando e abastecendo suas garrafinhas, e mais comida e frutas!!! Cheguei neste PC2 às 10h57min – um tempo bom, se considerando as leves dores que tenho enfrentado!!!

Hora de voltar pelo mesmo caminho em busca do PC3 pouco antes da subida da Serra Velha de Campos do Jordão!!! Mas antes não posso deixar de citar a melhor coxinha de frango que comi até então, em Monteiro Lobato, no cruzamento onde viramos a caminho de SFX, num Bar deste mesmo cruzamento o meu almoço: duas coxinhas e uma Coca-Cola!!! Inesquecível!!! Se não me engano, no L’Étape Brasil de 2018, podemos passar por ali novamente!!! Mas vamos em frente, pois já coloquei o carro na frente dos bois!!! A volta tem a subida dessa serra de São Francisco Xavier, onde pequenos grupos de ciclistas de formavam e desmanchavam, mas era bacana ver o esforço de todos, e nesse caminho rumo à Campos, essa seria (em extensão) uma das 3 escaladas a cumprir!!! E logo nessa primeira, a minha magrela, mesmo revisada começou a estalar, e eu não sabia se era no Movimento Central (e/ou pedal), ou se era no conjunto traseiro (disco do freio ou catracas/corrente) – um dilema, mas vamos em frente!!! Vencida a primeira escalada, uma ótima descida, tentando adotar as técnicas do Nibali (até parece!!!), cheguei ao momento coxinha (almoço já citado), e em direção à segunda escalada, a serrinha de Monteiro Lobato!!! Essa subida foi prazeirosa e ao mesmo tempo desgastante, pois aquela previsão de chuva na parte da tarde da prova não aconteceu, e sim o contrário: um sol pra cada ciclista!!! Haja hidratação, reposição de sais, forças pra seguir em frente e os incentivos de que ultrapassava um ao outro na estrada… Só tenho a agradecer aos amigos que encontramos nas estradas, e um deles em especial: Xandão Miller (de Campinas – RFBC (se não me engano)) – até me ofereceu protetor solar!!! Lembramos que estávamos no meu primeiro BRM200 em Brotas em 2015: debaixo de toda aquela chuva!!! Muito obrigado Xandão!!! E no pedal que segue, naquele calor que não tinha fim, um Oásis!!! Até cheguei ao local falando isso: vocês encontraram um Oásis para os ciclistas que lá estavam, se banhando na queda d’água!!! Eu mesmo me molhei todo, enchi as garrafinhas (que estavam vazias naquele instante), molhei a toquinha, respirei fundo e partiu rumo ao PC3!!! Claro: mais um pouquinho de escalada e depois uma das descidas mais bacanas que vi/fiz/pedalei – dava pra ver um belo horizonte durante essa descida, e quase toda a estrada visível: espetacular!!! E nos variados graus de dificuldade, com dores, bike estalando, sobe e desce da estrada SP-050, enfim, chego ao PC3, no Bar do Pedro, onde de imediato peço um Gatorade, e vejo a manga da minha camisa já com sinais de sal – afinal, já eram 150 quilômetros pedalados e os sinais de desgaste ficam ainda mais visíveis. Essa parada após o carimbo no passaporte às 14h47min, sentei pra descansar e planejar o que viria pela frente: a Serra Velha de Campos!!! De praxe: o abastecimento feito, comilança de frutas e salgados!!! E claro: um oi e tchau para os amigos ciclistas e galera da organização!!!

Bora-Bora-Bora, pois agora teremos quase 13km de subida na terceira e última grande subida – aliás: a maior de todas elas!!! Em direção à minha cidade natal: Campos do Jordão!!! Como eu estava com os mimimis previamente calculados, a medida que se eu sentisse dores eu pararia pra alongar, relaxar um pouco e voltar a subir, portanto, nessa subida foram essencialmente uma meia dúzia de paradas, sendo algumas para aliviar as dores no joelho, e outras para comer e se hidratar sem pedalar – foi importante pois consegui nessas condições não ter câimbras fortes, apenas aquelas ameaças que quando vem fazemos o contraponto, revertendo a situação e aliviando em seguida – mas são sinais importantes que nessas horas pedem cautela!!! A Serra Velha de Campos do Jordão pra mim é bem especial, pois quando criança viajava por ela para visitar os meus avós em Brazópolis/MG, meu pai sempre fazia esse caminho, por ser o mais curto e mais bonito (acredito eu) – apesar das curvas!!! Esse trecho remetia mesmo à minha infância e ali trato com muito carinho o contato com a natureza que é o meu berço. As árvores, as sombras gratuitas, o som de pássaros, as pessoas simples que por ali moram e nosso sotaque tão característico, exemplo: quando nos perguntam onde nasceu, a resposta: “-Em Canjordannn!!! Maiscresci em Brazópis!!!” – e aqui explico o porquê de ser “mineiro” de Campos do Jordão!!! Oh vida boa tem nessa terra viu!!! No topo da Serra, com quase 170km, quem não tirou deveria ter tirado uma foto em frente à placa de “Bem-vindo à Campos do Jordão” (#FicaADica) – é uma conquista, podem acreditar!!!! Na sequencia uma boa descida pelo bairro Santa Cruz (Dica: ao final dessa descida fica a fábrica da Cervejaria Baden Baden)!!! E claro, agora o destino era chegar ao PC4 em Capivari, passando pela Abernéssia e seu trânsito, assim como em Jaguaribe e mais trânsito (afinal, era Sábado: dia de turistas na cidade). E a nota triste que senti ao pedalar pelas ruas de Campos do Jordão, além do comportamento de certos motoristas (o que não é novidade em qualquer lugar do país), as ruas mal cuidadas, repletas de ondulações, trincas e buracos – não se engane mas até há no Strava um segmento chamado “Mais Cratera que Na Lua”!!!! A cidade merece mais cuidados pela Prefeitura, pois sempre recebe muitos visitantes, e esse foi um comentário que fiz ao meu pai na ocasião, a população e a cidade merecem esse cuidado!!! Mas enfim, cansado cheguei ao PC4, às 17h02min!!! Enchi a barriga de paçoquinha e água!!! Cumprimentei quem ali estava, carimbei o passaporte sem perder muito tempo e parti para o destino final: Santo Antonio do Pinhal/SP, descendo pela Serra Nova!!! Mas antes a tradicional fotografia em frente ao Portal de Campos – tradicional!!!

A descida da Serra Nova de Campos é uma delícia, sem contratempos, aliviando qualquer dor existente, bem de boas mesmo, passando direto pelo mirante da serra, que estava cheia de turistas, fui até o viaduto de acesso à Santo Antônio… Que nos “presenteava” com um esforço final naquela rampa de média de 13% de inclinação em 600 metros!!! Depois: descida até a chegada, tendo que atravessar toda a cidade pacata de Santo Antônio!!! Feliz pra caramba, às 18h11min eu chegava ao destino final após completar os 200km dessa prova que eu sempre quis fazer!!! Lá estavam o pessoal da organização parabenizando a todos que chegavam, entregando Certificados e Medalhas!!! Todos com sorrisos por completarem a prova!!! O meu tempo global (considerando as paradas) de 11h11min ficou dentro das minhas expectativas, pois em certos momentos da prova a vontade de desistir aparece, a sorte que ela perde para a vontade de insistir. Como diria o querido amigo que nos protege lá do alto, Cláudio Clarindo já dizia: “Insistir, Persistir, Nunca Desistir”, assim como, “Todas as Vitórias ocultam uma Renúncia” – fica a lição!!! Em falando desse mestre, senti muito a falta de alguns amigos da CLR Cycling Team, de Santos, os amigos Paulo Blade e Renato Ramos, entre outros… Mas espero vê-los em breve num desses pedais que a vida nos oferece!!! E claro: #SomosTodosCLRTeam!!!

Voltando pra Pousada, minha esposa na verdade estava me esperando num calçadão com mesinhas, onde pude me refrescar com uma cervejinha e duas empanadas argentinas!!! Ao lado, um grande grupo de ciclistas confraternizava, e todos felizes – que mais importa e ver isso nos olhares de cada um!!! Ao fundo, um grupo de músicos tocando boas músicas, que me impressionou foi o fato de tocarem Bob Dylan e Simon & Garfunkel em meio a outras canções boas!!! Tudo muito bom!!!

Agora pra finalizar, a sessão agradecimentos, afinal, dar suporte a quem pratica esse esporte tão duro é como se estivesse conosco na estrada pedalando!!! Primeiramente agradeço à minha esposa Beta, que mesmo achando loucura acredita que deixando eu pedalar sou mais feliz ao lado dela (e isso é verdade)!!! Ao pessoal da Tripp Aventura Bikeshop (representante Specialized), aqui em BH, onde confio aos amigos os cuidados que minha Roubaix – sempre atentos aos detalhes e cuidados nas revisões, sendo honestos e verdadeiros, sem enrolação: se tem problemas me avisam!!! Aos amigos que durante todo esse tempo me apoiam nos pedais da região metropolitana de Belo Horizontes, mesmo sabendo que não sou rápido, me ajudam a melhorar em alguns pontos o meu pedalar, e desta vez em especial o amigo Wellington Lima, que por morar perto de casa, nunca desiste em me ajudar com dicas e sair pedalando às 05h25min da manhã, subir Anel Rodoviário e pegar BR-040 junto ao pessoal do PelotonBH – valeu demais meu amigo!!! A Pousada Venezia em Santo Antônio do Pinhal, pela recepção e atenção nos dois dias que lá estivemos!!! À galera da Inconfidentes Pedalantes, por não desistirem e proporcionarem sempre aqueles brevets em Minas, e que servem de preparação para diversas outras provas!!! Claro: ao Audax Randonnuers São Paulo por mais uma vez deixarmos pedalar em uma das suas provas, que são bem desafiadoras, em regiões fantásticas do Estado de São Paulo!!! E a todos que de certa maneira, nas redes sociais, via mensagens ou telefonemas, manda aquele incentivo: o meu muitíssimo obrigado!!!

Valeu por tudo, por cada pedalada, cada gota de suor, cada dor que passou, cada amigo feito e reencontrado nesse caminho randonneur, autosuficiente, de pura dedicação e força real do hábito saudável que é o de pedalar e ser feliz!!! Assim seguirei, até o próximo desafio!!!

Um grande abraço a todos!!!

Sempre,

Alessandro Martins.

 

BRM200 – BH – Inconfidentes Pedalantes

Caros amigos, neste Domingo último (26/11/2017) tive o prazer de participar de mais um breve organizado pelos amigos da Inconfidentes Pedalantes aqui em Belo Horizonte/MG. Sendo essa a primeira do calendário 2018, e começando pela capital mineira e região metropolitana com suas subidas, partes urbanas que exigem navegação além de um bom condicionamento e equipamentos em dia!!!

Pra iniciar, os meus mimimis pessoais, que não justificam, mas servem de alerta para aqueles que pretendem fazer o seu primeiro brevet num dos diversos clubes Randonneur espalhados pelo mundo afora!!! Então, após a participação do L’Étape Brasil, em Cunha/SP – esta que direciono (ou tento) os meus treinos, tirei o pé do pedal, ou seja, treinei muito pouco desde então. Adicionado a isso mais dois fatores: Horário de Verão – não curto muito pois meus treinos são iniciados às 05h30, e no início deste horário eu preciso acordar no mínimo uns 30 minutos antes da saída, e que no horário normal seria em torno das 04h00 (tenso)!!! E o outro fator é a Chuva, que dada a estação começa nesta época, impossibilitando alguns treinos – como não tenho Rolo de Treino, as coisas ficam um pouco complicadas (e num futuro próximo irei resolver essa questão). A parte destes “inconvenientes”, na faculdade é época das provas finais de semestre, e com isso o foco é acabar logo o oitavo período de Engenharia Civil…

Com isso chegou a semana do BRM200 – BH, junto um probleminha de saúde que perdurou por quase toda a semana, quase colocando em risco a minha participação. Dessa vez nem tive tempo de revisar a minha Roubaix, como tenho pedalado pouco, apenas limpei os componentes e lubrifiquei a corrente!!! Quanto à alimentação, a semana foi desregrada, e para a prova separei o carboidrato em gel (5), além do repositor isotônico em pó (2) que tinha em casa, além de deixar a água gelada para iniciar a prova!!! Eletrônicos carregados, partiu bairro Ouro Preto (regional Pampulha) para encontrar a turma do pedal!!! No mesmo dia houve os desafios 50 e 100km, que é bem legal para ver novos rostos e perceber a adesão dos amantes do ciclismo nesta que é a modalidade capaz de unir muito as pessoas por sua capacidade inclusiva, que independe de sexo, idade, velocidade, equipamento e diversos outros fatores – ou seja: para todos!!!

Na chegada ao local deu tempo de dar um abraço no amigo Everton Paiva, que saiu dirigindo de Conselheiro Lafaiete para BH naquela manhã para participar da prova!!! Assinatura feita do Termo de Responsabilidade com o amigo Schetino, vistoria com o amigo Andrei, um abraço no Mundim, e partiu BRM200!!!

A parte urbana realmente exige do participante, na minha opinião, duas coisas: boa navegação e total atenção a tudo a sua volta. Quanto a navegação, é fornecido as referências de todo o trajeto, assim como, a possibilidade de baixar o mapa para os aparelhos que possuem GPS (ajuda e muito esse tipo de equipamento); e atenção é fundamental, pois por se tratar de trechos urbanos, além de motoristas que acreditam ser pilotos de corrida, há pedestres desatentos e ciclistas de passeio – todos esses fatores podem causar um acidente se não tivermos a devida atenção.

Neste BRM200 teve como característica interessante (mais uma vez) os PCs Fotográficos, alguns reclamam da quantidade, mas eu gosto por diversos motivos, e os principais são: fracionamento da prova para saber se estou no caminho certo (mesmo com o uso do GPS), e claro: conhecer e se integrar mais com os lugares por meio das fotos, que ficam guardadas conosco!!!

Seguindo então os desafios, o primeiro PCF1 (PC Fotográfico) era o Museu de Arte da Pampulha, sempre passei em frente e nunca parei: essa foi a oportunidade, e qualquer dia desses quero visitar novamente e conhecer ainda mais!!! O dia seguiu nublado, mas com o clima ameno para pedalar!!! Em seguida mais navegação urbana até chegarmos ao PCF2 já com muitos randoneiros (randonneurs) já fazendo suas selfies e batendo um papo em frente ao Bar Jumento da Bota, no alto da subida!!! E nessa sequencia chegamos à Santa Luzia!!! Nessa cidadezinha, logo de manhã as pessoas deviam se perguntar de onde saiu tanta gente de bicicleta passando por lá, e claro: todos com os dizeres de “Bom dia”!!! E lá mesmo encontramos o PCF3, na Igreja Matriz de Santa Luzia, praticamente com os mesmos companheiros de pedal e suas fotos e conversas… E nesse ponto eu parti um pouco antes da galera, afinal, faltavam ainda mais de 160km. Pegando um bom trecho de estrada, com pouco trânsito e um bom asfalto para pedalar, o destino era tirar uma foto no PCF4, lá no Mosteiro Macaúbas, por curioso entrei pedalando em meio àquelas pedras, quase tive um tombo gratuito ali, a sorte que soltei o taquinho em tempo!!! Pouco metros depois estava o oficial PC1, no Trilhas da Serra, onde o Mundim estava nos esperando com o bom humor de sempre!!! Ali era tempo de carimbar o passaporte, comer umas frutas (banana e melancia), abastecer a garrafa de água e partir… O próximo PCF5 foi em frente à entrada da Prefeitura de Santa Luzia, e lá tinha uns meninos curiosos perguntando de onde e para onde estávamos indo: bom ao menos comigo perguntaram!!! Lembrando que nesse trecho uma leve garoa ajudou a manter a temperatura do corpo amena e em condições boas para pedalar!!! Depois dessa foto e selfie era estrada até o PC2 na Churrascaria Carijó, e lá cheguei pouco antes do meio-dia, ou seja: tempo de almoço!!! Com os amigos Andrei e Diogo para assinar o passaporte!!! Comida de graça, melhor dizendo: macarrão gratuito, sempre bem-vindo nesse tipo de prova!!! Novamente abasteci a garrafinha de água pois agora começava o grande desafio: barriga cheia, mais da metade da altimetria a ser cumprida, e o Sol estava nos aquecendo com temperatura acima de 30 graus Celsius!!!!! E de cara: subida e mais subida até Matozinhos – e se tem subida de um lado haverá descida no outro, e vice-versa!!! O destino era tirar uma foto no PCF6 na Igreja Matriz Matozinhos, onde um bom senhor varrendo a calçada me confirmou que ali era mesmo a Igreja que eu precisava de uma foto!!! E se lembram da descida, agora ela virou subida para aquela descida refrescante da volta, e com acumulados 115km (mais ou menos isso)… Só posso dizer que tive uma parada na subida da PRECON, aquela que passa por trás do Aeroporto de Confins, e nessa parada (km125) eu estava pegando fogo, e para isso quase esvaziei uma garrafa de água na cabeça, braços e pernas; tirei manguito, toquinha na cabeça, e depois de uns 5 minutos ali, já começando a sentir uma dor na perna esquerda (olha a falta de treinos já querendo causar danos), voltei a subir, mais leve e confortável, sem pressa, afinal, estava num tempo bom de pedal, e nada que comprometesse… Passei em frente ao Aeroporto, e olhando para frente e para trás: ninguém. Sem problemas… E depois de um intervalo bom chega-se à Lagoa Santa, em mais um trecho com navegação urbana, em dia de Domingo os restaurantes cheios; e na hora da foto em frente ao Restaurante Maracujá (PCF7) estava apontando o celular para o mesmo, os clientes me olhavam com um tom de curiosidade muito engraçado, e seja de um lado ou outro da beira da lagoa, todos paravam para olhar!!! E deste ponto em diante entrei no desconhecido, não tinha idéia onde o GPS poderia me levar, só sabia que o nome era Lagoinha de Fora; no meio do caminho minhas garrafas estavam vazias, logo numa subida que era interminável, e ali parei para baixar os batimentos cardíacos e respirar fundo – nesse momento um colega randonneur passou por mim!!! Voltei a subir pedalando até que numa bifurcação entrei pela direita e o GPS avisou: “Fora do Percurso”, era pra entrar à esquerda!!! Rumo ao último PCF8, numa igrejinha bonita, no meio do nada, e de lá ir direto ao último PC3, onde o Mundim nos esperava para carimbar o passaporte!!! Na Padaria Maktub, onde comi muita melancia e banana, viria um Gatorade num gole só, abasteci as garrafinhas; a curiosidade desse PC foi a presença de uma família que interagiu muito com todos que ali pararam, a mulher em especial não parava de falar e perguntar de tudo sobre ciclismo, o que para mim foi pura diversão enquanto estive lá!!! E agora pergunto ao Mundim: “Como foi para você ficar tanto tempo lá respondendo às perguntas?” – eu fiquei uns 10 minutos e já fiquei impressionado!!! E bora!!! Pedalar!!! #AERP… Depois de uma leve descida, começaram as subidas, duas pra ser mais exato, nem olhei ainda a inclinação média, mas que foram duras: isso sim!!! E foi assim até voltar à Linha Verde, onde até consegui uns recordes pessoais, porém, com energia reservada para a subida de Vespasiano, com mais de 175km nas pernas foi para balançar o ciclista, as pernas tremendo, certas dores só acentuando o cansaço, mas o pedal tem que seguir, pois dali em diante o percurso é até mais leve se comparado ao que já ficou para trás… E assim foi com um pouco mais de navegação urbana, chegando à Lagoa da Pampulha, convivendo com os ciclistas de passeio e outros de rolezinho ziguezagueando na nossa frente (um perigo constante pedalar na Pampulha) – detalhe: no mesmo dia a Maíra Lemos (apresentadora da Globo Minas) sofreu um incidente pedalando, ela divulgou um vídeo nas redes sociais, daí pergunto: “Foi na Pampulha?” – não me espantaria se fosse, dado o número de perigos. Mas enfim, já pedalando como se estivesse num regenerativo, em ritmo bem leve, com dores nas pernas fui até o final, com uma subidinha boa até a Oficina da Bike, com o amigo Andrei filmando e saudando na chegada!!! Cansado era pouco, e eu estava travando na bike, nem conseguia sair direito, até que o Leandro (Oficina da Bike) tentou me oferecer ajuda e eu nem raciocinando estava, só lembro que ele trouxe um potinho com escondidinho, pensem numa comida bem feita – caramba: era o que eu precisava, comer algo salgado e tomar uma cerveja (que não tinha, mas sem problemas)!!! Bacana demais, 200 quilômetros completados em pouco mais de 10h36 de tempo total (09h16 de movimentação) – dadas as interrupções para as fotos em PCFs e PCs, fiquei muito contente com o resultado!!!

Para finalizar esse meu relato, primeiramente agradecer a minha esposa que permite essas minhas loucuras de pedalar longas distâncias, me ausentando de deveres sociais, familiares, e mesmo assim me apóia quando chego em casa todo “estragado”; aos amigos da Inconfidentes Pedalantes, que bravamente fazem do Randonneuring uma parte importante de integração que o ciclismo merece, pois é pela paixão que o esporte oferece, nos permitindo, de uma certa maneira, fazer parte de tudo isso!!! E claro: aos amigos que encontramos nessas provas, mantendo sempre essa amizade bacana!!! A todos, o meu muitíssimo obrigado!!! E que venham as próximas provas do clube, prestigiem!!!

Um grande abraço a todos,

Sempre,

Alessandro Martins.

PS: Ah, não podia esquecer, na boa conversa ao final, de trocas de experiências aprendi um monte de coisas, mas tinha que enfim saber o significado da hashtag que usei aqui na resenha… Afinal, vocês sabem o que significa #AERP!?!? Me perguntem, ou participem do próximo brevet!!! Top essa idéia, quem teve merece uma cerveja!!! Aliás, experimentei e fiquei com a camisa manga longa do clube, usarei com muito carinho!!!

Links:

Clube Randonneur Inconfidentes Pedalantes

BRM200 – BH – Alessandro Martins – Strava

L’Étape Brasil 2017 – Cunha/SP

Força, Foco e Fé: e foi assim que aconteceu… Desde a minha primeira participação em 2016 fiz dessa a prova principal do meu ano, em paralelo ao meu universo Randonneur!!! Com isso em mente, segui com os planos de quilometragem semanal, e um certo valor mínimo de altimetria a cumprir mensalmente – e claro: com a ajuda dos amigos (“With a Little Help from my Friends” – The Beatles, porém, versão de Joe Cocker) foi possível cumprir boa parte dos treinos!!! E isso foi importante, vocês entenderão o porquê mais pra frente no texto…

Além dos treinos e de estar em cima da bike pedalando, outros fatores foram importantes, e aqui vou citar o mais importante da lista: alimentação. Tive um ano sem exageros e o meu peso se manteve estável, com uma ligeira queda em relação a 2016, em dois quilos pra ser mais exato. E o outro fator que gostaria de citar foi a relação com a manutenção da bike em dia, e nesse quesito sou minucioso, registrando cada troca de peça e sua quilometragem (faz a diferença no final das contas)!!!

Dentre as diversas argumentações com o pessoal da organização do L’Étape quanto às minhas sugestões de mudanças, a tecla que mais bati foi no quesito Hospedagem. Em resumo: os proprietários de Hotéis e Pousadas na região deixam a situação como “Lotados” no período do L’Étape nos sites de viagens quase um ano antes, para exemplificar; e assim, trabalham com reservas particulares, e por telefone seguem a prática do preço acima do normal se comparado a outras épocas do ano – lei de mercado: quanto maior a procura, maior o preço pela escassez de opções. Com isso, perdi oportunidades de estadia nas cidades com melhores opções de acesso à Cunha – acabei reservando em Paraty/RJ, e literalmente no popular: “Deu ruim…”. Afinal, na semana da prova fiquei sabendo que a estrada de Paraty para Cunha fecha a noite e abre apenas de manhã (devido ao funcionamento do Parque de Preservação Ambiental – justo), sem que houvesse chance de que eu pudesse estar a tempo pra largada!!! Caos no clã Martins… E após inúmeros contatos com Pousadas, e todos com respostas-padrão que não quero me lembrar dada a vergonhoso atitude dos proprietários, consegui com uma ajuda vinda dos céus falar com a amiga Dany Ferreira, que me colocou em contato com a Claudia, proprietária de uma casa em Cunha e que estava alugando para ciclistas!!! Lembram do lema: “Força, Foco e Fé”?!? Aqui entrou a Fé!!! E enfim, tinha um abrigo a 5 minutos da largada!!! Amém!!!

Bom, na sexta-feira (22) fui buscar minha magrela naquela revisão pré-prova feita na Tripp Aventura aqui em Belo Horizonte – deixaram ela perfeita!!! E preparando a mala, com as roupas de ciclismo, capacete, sapatilha, óculos, eletrônicos, suplementos e ferramentas; realmente é um checklist que foi seguido à risca!!! Daí, tudo certo para a viagem…

No sábado (23) bem cedo, as 05 da manhã já estava colocando tudo no carro, e pronto: parti pra Cunha/SP. E após as 09 horas de viagem, só lembrando que passei em Piranguinho/MG no caminho para levar aos amigos pedalantes “o melhor pé-de-moleque-do-mundo”!!! Já em Cunha, facilmente cheguei a casa da Claudia e família, onde fui muito bem recebido pelo Neno (marido da Claudia). Em seguida, fui caminhando até o Village L’Étape para a retirada do kit do participante, e lá aproveitei para dar uma volta pelas tendas dos colaboradores da prova. E como o observado e comentado em 2016: de nada valia o cartão Club Du Tour no evento, afinal, se qualquer um (não-participante) paga R$100,00 (cem reais) por uma camiseta, o mesmo preço era pago por aqueles que tinham o cartão e participaria da prova. Nada mudou. Quanto às tendas eu achei muito legal a diversidade das mesmas, só que algumas estavam tão juntas que eu mesmo estava em uma e acabei perguntando para o vendedor de outra tenda sobre um certo produto e tive que pedir desculpas… Mas houve sim um momento fantástico nessa tarde de sábado: o meu encontro com o ultraciclista Marcelo Florentino Soares, conhecido no meio de duas rodas como “Mixirica”, e que dias atrás tinha completado heroicamente uma das provas mais duras do mundo: a RedBull Transiberiana – e pela segunda vez consecutiva, onde 10 largaram e apenas 3 terminaram. Enfim, a conversa foi rápida mas muito prazerosa, pois muitos o queriam naquela hora para ao menos parabenizá-lo e claro: uma selfie com o campeão!!! Após esse momento, procurei pela tenda da Fotop, que assim como em 2016, para obter as fotos oficiais da prova, eles são demais!!! E assim segui, rumo pra casa pois estava cansado da viagem e precisava repousar um pouco… Após a caminhada da volta chego com o kit e encontro a Dany e amiga, a Claudia e a mulher do grande ciclista Amdrey de Floripa!!! Aliás, que pessoal espetacular conheci nessa casa!!! Um belo casal de Sampa, outro belo casal de Floripa, um grande ciclista também de Floripa, a família da Claudia, e por curtíssimo tempo, por acenos apenas, o pessoal da organização do L’Étape também estavam na área… Aliás, teve até um Parabéns com bolo, não lembro de quem era aniversariante, só lembro que o bolo estava delicioso!!! E para encerrar a noite: pizzas com vinho: excelente combinação pra mim!!! E depois disso: banho e ZZZzzz…

Dia D, Domingo (24): começou pra mim por volta das 03 da matina, onde a ansiedade me fez acordar e dormir em intervalos de 20 a 30 minutos, até quando o relógio informava que eram 05:30hs e eu não podia mais adiar: acordei de vez!!! Encontrei os amigos no café-farto-da-manhã preparado pelo casal Claudia-Neno, e ali que cada um seguia um ritual particular, eu também!!! Outro checklist a cumprir, escolhi o uniforme da querida-saudosa equipe criada pelo mestre Claudio Clarindo e amigos de Santos para homenageá-los nesse dia de prova!!! Bike devidamente numerada, Garrafinhas cheias, Garmin e Celular carregados, Ready-to-Go!!! E em menos de 5 minutos estava na baia de largada #5 devidamente identificado pela garota e sua prancheta!!! Ah, no caminho encontrei um ciclista com o uniforme da turma PelotonBH, se não me engano: Marcelo é o nome do guerreiro!!! E na baia encontrei o amigo Marcelo Santiago, com o uniforme da CLR também, o mesmo encontrei em 2016 numa prova de superação!!! E como em Londres, pontualmente, no horário de largada passamos pelo pórtico do evento… Na minha cabeça eu tinha toda prova planejada, ritmo e paradas de abastecimento de água e comida. As minhas referências vieram do ano anterior, ou seja, dividi a prova em 4 partes: Cunha-Divisa (25km), Divisa-Cunha (25km), Cunha-Campos Novos (30km), e pra finalizar a volta de Campos Novos-Cunha (30km) – totalizando os 110km marcados no meu ciclocomputador. E nesses segmentos eu particularmente tinha os tempos a serem batidos… E conforme o planejado segui minha pedalada, lembrando dos ensinamentos de amigos, como Paulo Blade, Alexandre Bergamo, Renato Ramos, Eron Moura, Jaco Amorim, Cláudio Clarindo e outros com quem dividia os encostamentos da Rio-Santos. Não esquecendo dos amigos de BH, grandes parceiros de treinos, em especial: Wellington Lima, Luiz Calango, Titi Ender, Mestres Japão e Pavan, PH, Julio Granato e os demais que deram dicas e ajudaram muito!!! Além dos amigos da Inconfidentes Pedalantes que permitem um calendário para as provas de Randonneuring, onde eu testo a minha capacidade de resistir a grandes esforços, por períodos longos de pedaladas!!! Dentro dos meus limites físicos segui o percurso sem me preocupar com os demais quanto a velocidade, e apenas pela segurança, primordial num local onde as subidas íngremes trazem no mesmo trecho decidas muito perigosas com curvas acentuadas… Aos poucos cruzava por amigos conhecidos e tanto dava quanto recebia incentivos!!! A população de Cunha está de Parabéns!!! A cada incentivo, aplauso, principalmente nas subidas íngremes (e não são poucas) – fazem valer a pena ter se inscrito nessa prova!!! Na divisa SP/RJ não parei para abastecimento e no topo apenas fiz o retorno para as descidas e subidas até Cunha e completar dois trechos da prova, e aqui baixei 10 minutos em relação a 2016 – bom sinal!!! Em Cunha eu completei as garrafinhas, comi frutas cedidas pela organização (banana e maça) e parti para a parte que tinha o Rei e Rainha da Montanha até Campos Novos de Cunha, no bom sentido: um buraco em meio às 4 Serras!!! E aqui foi onde me superei, nem tanto pela ida, mas sim pela volta final, os 30km finais, que em 2016 tive cãibras e dores, chegando a caminhar empurrando a bike nas três últimas subidas (exceto a final para a praça da Matriz); após curtíssima parada de abastecimento e banheiro, segui minha prova, administrando cada segmento sem exceder as forças, e novamente cruzando por amigos conhecidos pela estrada… Sem mesmo conhecer, via pelos uniformes o alcance dessa prova com ciclistas do Ceará, Maranhão, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e demais Estados: isso é muito bacana de se ver e ser testemunha do evento com essa boa mistura de sotaques!!! Sem stress e dores passei por um ponto desejado por todos na antepenúltima subida: um senhor e sua família com a mangueira refrescando a cada ciclista que passava, e seu filho pequeno com copinhos de água – especial e espetacular esse ponto da prova. Outro ponto muito desejado é o final da penúltima subida, onde após a curva no topo se vê a cidade de Cunha: como se diz na França: “Unique”!!!! E como o esperado ao final desta descida, cruzar pela rua de blocos e toda trepidação, a última subida com o tempo muito a favor, eu estava prestes a cumprir o objetivo de finalizar com uma hora a menos em relação a 2016; e assim me esforcei na última subida com o grande incentivo do pessoal local e outros ciclistas que já tinham terminado a prova – ao final, passar pelo pórtico de chegada traz uma mistura indescritível de sensações, confesso até que lágrima escorre em mistura ao suor e sal que fica impregnado no rosto, olho para o relógio e vejo 05h56min (uma hora a menos em relação ao ano anterior)!!! Hora da desejada medalha do L’Étape Brasil 2017 no peito e fotografia oficial!!! Felicidade plena, uma satisfação enorme de dever cumprido seguindo três simples pilares: Força, Foco e Fé!!!

Já em fase de arrefecimento, vi que o amigo Marcelo Santiago terminou bem a prova, tiramos algumas fotos e nos parabenizamos e despedimos… Logo desci para saborear aquele macarrão da Pasta Party feita pela organização… Antes de ir para casa encontrar os amigos pedalantes, tive a oportunidade de parabenizar o Luiz, vice-campeão da prova principal e tirar uma foto com o ciclista de Cunha. De volta ao abrigo foi hora de  conversar, agradecer, tirar outras fotos e se despedir de cada um que lá estava. Todos, de uma certa maneira, contribuíram para fazer dessa experiência no L’Étape Brasil 2017 um momento único!!! E assim parti após um bom banho, e arrumar minha bagunça para seguir em direção a Minas Gerais, com a plena certeza de que valeu demais a pena ter enfrentado a distância e altimetria de Cunha.

Que agora venha a próxima, em 2018 será na minha terra natal, na belíssima Campos do Jordão/SP, e no nosso berço: a Serra da Mantiqueira!!! Estrutura não faltará, dezenas de opções de estadia, clima excepcional, subidas e descidas tão íngremes quanto Cunha, moradores tão carinhosos e acostumados com grandes eventos que farão todos os participantes não quererem deixar a cidade. Vejo com alegria a escolha de Campos do Jordão como sede, entre os dias 28 e 30 de Setembro de 2018. E os convido a vivenciar essa grande experiência, mais informações no site do L’Étape Brasil!!!

Para finalizar, os agradecimentos de sempre, além dos citados no texto acima, a minha querida esposa Roberta, que dadas certas discussões ainda me apoia nessa loucura saudável do ciclismo – “Beta, te amo”!!! À CLR Cycling Team, que permite que eu vista o manto da equipe em provas tão especiais como essa!!! Aos demais amigos ciclistas de BH e região, pelo incentivo nas redes sociais… Ao amigo Ernane, da Tripp Aventura aqui em Belo Horizonte, sempre solícito e com atendimento excelente!!! A Dany Ferreira e Claudia que me ajudaram na hora mais urgente com a possibilidade de ficar numa bela casa a menos de 5 minutos da largada, especial demais!!! Aos organizadores, meu muito obrigado por ouvir o desejo de muitos: que venha Campos do Jordão!!! Com as melhorias que essa franquia merece, o ciclismo amador do Brasil agradece!!!

E acreditem, se você leu até aqui, o meu eterno agradecimento, pois você faz parte de um seleto grupo de apaixonados por narrativas esportivas, e nesse caso: o ciclismo.

Muito obrigado.

Sempre,

Alessandro Martins.

A seguir, algumas fotos do meu arquivo pessoal dessa experiência bacana!!!

Ciclismo: BRM200 de Itaúna

Olá pessoal,

Depois de um certo tempo sem escrever nesse espaço, hoje venho compartilhar com vocês a minha experiência de ter participado de mais uma prova de ciclismo, mais precisamente, de uma prova de autossuficiência dentro do ciclismo. Esse nicho do ciclismo é conhecido como Randonneuring, bem semelhante às provas de Audax, o que muda são algumas regras particulares, mas enfim, vou direto ao BRM200 de Itaúna (BRM: Brevet Randonneurs Mondiaux), e caso queiram mais informações sobre o assunto, sugiro o excelente blog da galera de São Paulo, onde poderão encontrar diversas informações bem úteis para a prática desse fantástico esporte!!! Segue o link: Audax Randonneurs São Paulo.

Como sempre, na semana da prova seguem os preparativos, e cada ciclista tem o seu ritual, uns mais tranquilos, outros não… Eu particularmente faço uma lista das coisas que preciso me antecipar e preparar, como por exemplo: eletrônicos, arquivos de mapas, alimentação, vestuário, logística, e claro: a bike revisada!!!

Com tudo certo, passado os perrengues de arrumações diversas, cabos de energia, suplementos, hotel reservado, aula na faculdade até Sexta-feira a noite em Belo Horizonte – por volta das 22:00h parti para Itaúna/MG!!! Afinal, a largada será na manhã de Sábado, às 08:00h…

Em Itaúna, acordei cedo, graças a boa ajuda do trem que apitava e passou ao lado do Hotel dando as boas-vindas!!! Café da manhã muito bom e tomado, me aprontei como o de costume e: parti para a Praça do Centro da cidade, onde tem uma Igreja como na maioria das cidades de Minas, e encontrei a galera que iria participar da prova, assim como os amigos organizadores do evento, o pessoal da Inconfidentes Pedalantes para a devida vistoria e retirada do Kit para o evento. Tudo certo: farol e lanternas funcionando, colete refletivo, equipamentos pessoais de segurança (capacete e óculos).

Largada dada!!! Com um vento bacana, que de certa maneira, aliviava o sol que tinha um céu livre pra brilhar, ou seja, nada de nuvem… Como eu não conhecia a região de Itaúna fui admirando os caminhos como um bom Randonneur!!! Com algumas subidas leves, um acostamento atrapalhado ao meu ver – afinal, estava mais seguro pedalar pela beirada da estrada, passamos por Divinópolis para cumprir os primeiros 44,3km no PC1 – num bom ritmo por sinal. No Posto Xavante não foi possível abastecer gratuitamente com água: uma pena. Dali foi a partida rumo à cidade de Perdigão, onde a missão era um PC Fotográfico: Igreja Matriz de Nossa Senhora da Saúde. E lá cheguei no km 85 da rota, fiz minhas selfies, parei numa lanchonete, abasteci as garrafinhas com água e claro: Coxinha com Coca-Cola (essencial quando se pedala longa distância – nutricionistas entram em pânico, como não pedalam: não sabem o efeito)!!! E já na saída de Perdigão uma subida que parecia não ter fim, e como o relógio já marcava por volta das 11:30h (eu acho), o Sol estava em cima da cabeça e queimando, resultado? O protetor solar começou a escorrer pra valer, entrando nos olhos na hora da subida lenta, e nisso fiz revezamento de olhos para aliviar e enxergar a estrada!!! Ao final da subida foi possível parar e jogar uma água e limpar a bagunça… E aqui pra mim foi o momento mais tenso de toda a prova.

Nova Serrana. Aqui nessa cidade apenas passei cortando a mesma para chegar na BR-262. Mas quero deixar registrado aqui as duas subidas em sequência com inclinações de 15 e 19% respectivamente. Na segunda em particular, eu subi ao lado de um Uno urrando pra subir, e eu com as minhas pernas fazendo força olhando para o motorista ao lado e falei pra ele: “-Vamo-que-vamo“!!! Ele disse: “-Ceis são loco“.

PC2 no Km 117: o mais esperado, desejado, almejado, querido, amado ponto da prova – Hora do Almoço!!! Gentilmente cedido pela organização da Inconfidentes Pedalantes. Lá encontrei o amigo Nino Coutinho, que na semana tinha feito como organizador o BRM600, que aliás, teve a largada um dia antes e estava em andamento também!!! No prato: Macarrão (delicioso por sinal) e Beterraba!!! Não precisava de mais do que isso. De barriga cheia, hora de checar as garrafinhas, bateria dos eletrônicos, selfies para registrar a bagunça e partiu BR-262.

Após o almoço, pedalei na companhia de um cara super bacana, o Everton Paiva. Foi generosidade da parte dele a boa conversa, com dicas de coisas particulares, situações interessantes do ciclismo e etc… Fomos juntos.

De um certo ponto em diante, comecei a reparar que já tinha pedalado por ali – e realmente: foi no Desafio do Milhão 2016. E pra ter certeza houve a parada no PC3 (km 165) no Restaurante e Lanchonete Itamaraty. E ali fiquei uns 5 minutos conversando um senhor que segurava seu copo com a cachacinha do fim de semana: boa conversa por sinal!!! Mais água nas garrafinhas, um pão de queijo com mais uma Coca-Cola. Selfie tirada para comprovar passagem, pois o PC apenas pedia isso ou um comprovante de compra. Ah, nesse PC encontramos uma dupla que seguia na prova de 600km: guerreiros!!! E assim partimos, eu e o Everton, agora o destino final: voltar pra Itaúna!!!

No km 177 era a entrada para a MG-431 para Itaúna, conforme orientação da planilha. Com mais subidas fomos pedalando. Por volta das 17:00 ainda falei para o amigo pedalante que depois daquele topo era uma descida e tanto!!! Verdade confirmada: e que delícia deixar a bike adquirir velocidade só com o peso próprio e do magrelo em cima dela!!! E aqui um registro paralelo que não foi possível fotografar: um lindo pôr-do-sol à nossa direita – simplesmente inesquecível os “50 tons de amarelo”!!!

Chegamos em Itaúna, pela Universidade da cidade, um pouco antes das 18:00h, e nos orientamos até chegar na Praça da Matriz, onde orgulhosamente concluímos a prova às 18:14h – um tempo global (considerando todas as paradas) de apenas 10:10h!!! Sendo recebido pelos amigos Nino e André!!! E para a nossa surpresa: fomos os 2 primeiros a chegar da galera dos 200km – segundo os meninos da organização!!! Feliz mais ainda por ter baixado em 2 horas o meu tempo nessa distância: e sem dores!!! (Lembrando do último BRM200 feito: BH EscalaDOR)!!! E pra colocar a cereja no bolo: o Everton falou que era aniversário dele – bacana demais!!!

Em resumo: uma prova bacana demais, onde quem quer iniciar nos 200km e/ou melhorar seus tempos – Itaúna e região promove essa oportunidade!!! Gostaria de agradecer aos amigos que encontrei da Inconfidentes Pedalantes (Mundim, André, Nino e Andrei), amigos que conheci nessa prova (Everton, Hamilton), conhecer pessoalmente o Daniel (de Divinópolis) que é Super-Randonneur!!! Agradeço também a minha esposa por permitir essas minhas particularidades: pedalar distâncias longas exige treino e paciência da companheira, e ela tem me ajudado muito!!! A Tripp Aventura em BH pela revisão da bike e atendimento espetacular – no entanto que na prova usei a camisa da BikeShop como agradecimento!!! Ao pessoal do Grand Hotel, que me receberam tarde de Sexta-feira e me trataram super bem todo o tempo que estive por lá!!! E é isso: missão dada, missão cumprida!!!

Que venham as próximas provas!!! No final desse mês estarei em Cunha/SP para a prova L’Étape Brasil 2017 – que é claro, darei meu testemunho…

Bom pedal a todos, com segurança sempre!!!

Abraço e até mais,

Sempre,

Alessandro Martins.

Onde vamos parar!?


Muita calma nessa hora, diriam os mais experientes… Mas pelo que estamos vendo por aí, é preciso um pouco mais de reação sobrepondo o comodismo que insiste em criar raízes profundas nas pessoas e instituições.

Como a moda do momento impõe que cada um se mantenha no seu quadrado, acredito que temos aqui uma excelente oportunidade de corrermos atrás dos ideais que nos norteiam e servem de referências para criarmos um mundo melhor!!! E claro: saindo do quadrado imposto!!!

Logo voltarei a este espaço e divagar um pouco mais sobre assuntos aleatórios… Para que sigamos em frente, sempre…

Inté mais,

Alessandro Martins.

#SomosTodosCLRTeam #Ride4Clarindo #Ciclismo #BikeShopSantos #LagoaDaPampulha

PS: no mais sigo pedalando e correndo pelas calçadas do bairro e pontos turísticos da bela BH – diversão garantida…

Até quando passaremos por isso no Ciclismo?

Puxa, há tempos não escrevo no blog… Mas a causa exigiu que eu desenterrasse esse espaço para relatar uma experiência, um tanto quanto ruim, no início desta semana… Enfim, segue abaixo o texto que irei compartilhar com o máximo de pessoas que conheço no ciclismo, e para que um dia não tenhamos que passar mais por isso…

“Olá pessoal, nem sei bem por onde começar, dada a indignação de tanto descaso e falta de responsabilidade de certas lojas consideradas Elite para certas marcas de bicicletas. Além é claro, de morarmos num país onde somos coercitivamente extra-taxados e sem esquecer do alto lucro de certas marcas de equipamentos em geral, e não apenas de bicicletas.

Mas enfim, tentarei aqui contar a última experiência que tive nesta última terça-feira (06/12/2016) para que você leitor entenda melhor o porquê de tanta indignação.

Pois bem, anteriormente tinha deixado a mesma para uma revisão geral na Global Bicicletas (Jardim Canadá/Nova Lima/MG), e aqui abrirei a primeira ressalva de como são tratadas as situações pra quem pedala!!! Ao chegar na loja para deixar a bicicleta na quinta-feira (01/12/2016), para uma revisão geral, o atendente informou que a mesma ficaria pronta somente para quarta-feira (07/12/2016) dado o movimento da oficina, daí questionei o porquê de tanto tempo assim, e após contatarem o mecânico e sua agenda, falaram que para o sábado (03/12/2016) a mesma estaria pronta. Achei a data mais coerente, pois para o final de semana tinha marcado de pedalar com as visitas que receberia no final de semana. Na entrega da bicicleta para revisão geral, informei que a mesma estava com ruído no movimento central (principalmente quando pedalava em pé, e somente em pé nas subidas) e que isto ocorria sempre por sujeira, e nas limpezas anteriormente feitas: o ruído desaparecia. Além de solicitar a verificação das condições das pastilhas do freio hidráulico Shimano (que tenho outra longa história pra contar somente sobre isso: abra o olho Shimano e sua querida Blue Cycle). Bom, no sábado acabei pedalando com minha Specialized Rockhopper 29 para acompanhar o amigo com sua bela Specialized Diverge nas estradas de Minas, ao redor de Belo Horizonte. Ao final do pedal me despedi do amigo e fui pedalando até a loja Global para deixar a Mountain-Bike para uma revisão geral também, e no mesmo dia pude pegar a minha Roubaix (detalhe: fui informado que em breve deveria trocar os rolamentos das rodas, assim como, do movimento central)…

Como o tempo não tem ajudado muito, com as chuvas não pude pedalar no Domingo (tudo cancelado)… Mas na terça-feira a noite pude aproveitar o bom tempo: tudo certo em casa, esposa ciente da minha saída para pedalar (importante) com os amigos do MTB Barreiro, e neste caso estava com a minha Specialized Roubaix SL4 Comp Disc, uma bicicleta bruta que aguenta qualquer parada!!! Sendo assim, me arrumei como o de costume, uniforme de ciclismo, capacete-óculos-luva, monitores com baterias carregadas, luzes frontal e traseira, enfim, tudo realmente em ordem. Com isso, apenas chequei a lubrificação que tinha feito, e parti para encontrar os amigos no local combinado. Durante o pedal, que na maior parte do tempo foi em terreno plano, pude perceber que nas curtas subidas ouvia os mesmos ruídos que antes da revisão, e até mais que o esperado. Mas o pior de tudo foi o que ocorreu já ao final do pedal, onde percebi no início de uma descida (olhando no Strava depois vi que a mesma tinha pouco mais de 20% de inclinação em 200 metros), o freio traseiro estava com barulho estranho: como se não houvesse mais a resina da pastilha, ou seja, se utilizasse o freio traseiro danificaria por completo o disco… Neste instante, joguei todo o corpo para trás do selim e controlei no freio dianteiro a descida para evitar o capote, por mais que a descida fosse curta, ela era bem inclinada – e nisso quase caí. Passando por um cruzamento dei uma topada num bloco de concreto, que ajudou a segurar um pouco. E menos de 1000 metros depois cheguei em casa com o coração na mão.

No dia seguinte, pneu vazio pra variar, e com a luz do dia pude observar que a pastilha do freio traseiro estava praticamente sem a resina!!! Ué, eram pra ser substituídas na Revisão Geral – que aliás, informei no momento da entrega da minha Roubaix, que avaliada a pastilha e se não estivesse em condições que me avisassem pois possuo a mesma para substituição. O resultado vocês viram no relato acima…

Para não prolongar mais a angústia dessa leitura, e concluindo digo que possuir uma bicicleta hoje no Brasil é muito difícil, não apenas pela falta de segurança – e para isso nos adaptamos: saídas em grupo para pedalar, e seguro contra roubos e acidentes (por exemplo). Agora, o que é de deixar qualquer um indignado é a falta de respeito, falta de verdade, falta de compromisso, falta de conhecimento, e diversas outras formas de ausência num atendimento ao cliente, o ciclista em particular. Digo isso por ter passado por diversas lojas do ramo aqui em Belo Horizonte, e frustrações diversas em cada uma delas, e por esse motivo não é possível saber quem diz a verdade sobre o que acontece com a sua bicicleta!!! Pontuando essa última experiência, com a Global Bicicletas, que diz ser uma Elite Store da marca Specialized, posso garantir o quanto são enganadores, se preocupando apenas com a venda, seja de bicicletas e/ou acessórios, possuindo apenas um mecânico com a experiência comprovada em uma de suas lojas da “rede” Global – e aqui cabe outra informação: já deixei minhas bicicletas (todas da Specialized) em outras duas lojas da mesma proprietária, e digo que é muito ruim o atendimento. Se solicita um equipamento, uma peça de reposição que seja, a demora e a falta de um retorno ao cliente é estarrecedora. Infelizmente, esse tipo de tratamento faz com que pensemos diversas coisas, até mesmo desistir do ciclismo, porém, essa parte seria difícil. A saída da marca para outra, afinal, não escuto tanta reclamação de outras marcas…

Por esses motivos, da falta de respeito ao ciclista por parte das lojas (nesse caso em específico: Global Bicicletas – Elite Store da Specialized), após quase se acidentar, ouvir diversos outros relatos de ciclistas que passaram pela mesma experiência com a citada loja, resolvi não ficar quieto e tentar relatar o que ocorreu comigo. A intenção é a busca de melhoria no atendimento, seja com a devida qualificação dos funcionários, com a ética profissional que a empresa deve ter para com o ciclista, para que essa situação não continue sendo uma prática comum no dia-a-dia dos profissionais do ramo, afinal, hoje é uma vergonha – quem sabe, num dia próximo, se torne comum a honestidade, respeito, e que a sua vida seja preservada enquanto usa um equipamento que não saiu de graça após uma Revisão Geral.

Desde já agradeço aos amigos, dos diversos grupos de ciclismo que participo, que telefonaram, deram suas sugestões de como proceder, ou de qualquer outra forma me ajudaram nessa experiência desconfortável.

Sem mais,

Alessandro Martins”.

PS: algumas informações que possam clarear as idéias de quem atende o cliente:

  • Equipe CLR Cycling Team (Santos/SP) – criado por Claudio Clarindo
  • Specialized Roubaix SL4 Comp Disc 2015
  • Specialized Rockhopper 29” 2015
  • Specialized Jett Sport 29” 2015 (pertence a minha esposa)
  • Criador do Grupo Specialized Roubaix – Owners and Enthusiasts (Facebook)

Diversas hashtags (Instagram e Facebook) divulgando a marca Specialized

Após citar a marca Specialized, sugiro que a mesma crie uma alternativa para com o cliente final, ou seja, o ciclista, e não o lojista como tem tratado. Com o oferecimento de treinamentos de mecânica especializada sobre seus equipamentos, a opção de compra de componentes a preços acessíveis (principalmente as peças de reposição: pastilhas de freio, câmaras de ar, pneus, fitas, partes de capacetes, enfim, sobressalentes que com o uso necessitam reposição fácil). Hoje não temos acesso, e dependemos exclusivamente do atendimento de péssima qualidade das lojas Elite e/ou Autorizadas da marca Specialized. Até tinha em mente em trocar as bicicletas pelo modelo Diverge: uma para mim, e outra para minha esposa. Mas infelizmente, não tenho mais a confiança e o tratamento que todos merecem ter da marca. Detalhe: somente duas lojas me cativaram até hoje da marca Specialized, onde confiaria minhas bikes, sendo elas: Bike Shop Santos (onde não apenas adquiri as bikes, como os tenho como amigos que confio), e Renato Estrella (na única visita que tive a loja, tive uma experiência incrível). No mais, o atendimento que recebi nas lojas dos EUA são de excelência. Aqui no Brasil, há muito o que ser feito.

Caso precisem de imagens, tenho mais detalhes salvos comigo. Além dos relatos de amigos que passaram por constrangimento na referida loja.

Começamos 2015 bem!?!?

Bom, venho aqui expressar minha livre opinião sobre o início de 2015… E claro, agradecer aos insanos votos dados à presidente Dilma “RoughSelfie”, parabéns a todos vocês que deram mais 4 anos a uma pessoa que não tem idéia do que está fazendo em Brasília, afinal, todas as promessas de campanha eleitoral foram quebradas já no primeiro mês!!! Parabéns aos eleitores petistas.

Ver uma presidente que não venceu pela maioria é o desastre daquilo que chamam de Democracia. Se trinta e alguns pontos percentuais são maioria vou pedir hoje a minha mudança pra Disneylândia. A parte dos problemas do escândalo Lava-Jato, o preço dos combustíveis já subiram, os impostos também, taxa de juros e diversas outras coisas trabalhistas mudaram contrariamente do que foi prometido em 2014 numa disputa eleitoral onde a mesma candidata não mostrou seu Plano de Governo… Dá pra acreditar? Como disse no post anterior: “Dá pra levar a sério (…)?!?!?”…

Estamos ainda em Janeiro de 2015, e ver no dia-a-dia tanto político mentindo na cara-dura, está realmente fora do meu padrão de paciência. O mais interessante é perceber que se for para protestar contra corrupção, nada irá acontecer…

Mas não se preocupem, a presidente que já participou de guerrilha vai pedir clemência mais uma vez, não por mim e nem por você que lê esse desabafo, mas sim para algum criminoso por aí, seja ele do mesmo partido o tratando como herói, ou qualquer traficante na fila da morte por aí…

Sem mais,

Alessandro Martins.

Dá pra levar a sério?

Somos um país onde não dá mais pra levar a sério as pessoas… Explico: pouco mais de uma ano atrás milhões de pessoas saem às ruas pedindo mudanças, e o que aconteceu nas eleições deste ano!?

Um governo que esconde números, ou pede para segurar qualquer informação relevante à nação para se garantir no poder, dá pra levar a sério!?

Má gestão, corrupção, mentiras, e demasiadas aparições desconcertantes perante o mundo… Uma vergonha ter o Maior do Mundo ser jogado às moscas…

Saudações,

Alessandro Martins.

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